quinta-feira, 28 de junho de 2012

Chefe...mas pouco (1984-1992)

por Paulo Neto

Os anos 80 marcaram um ponto de mudança na definição da identidade dos géneros no mundo ocidental. Mais que nunca, as mulheres aspiravam cada vez mais a uma carreira profissional de sucesso e cada vez menos a uma vida doméstica. Por outro lado, os homens deixavam de lado os complexos e iam interessando-se cada vez mais pelas lidas domésticas. A ilustrar de forma divertida mas edificante esta inversão no papel dos géneros, esteve a série que hoje recordamos: "Chefe...mas pouco" (Who's the boss, no original).



Angela Bower (Judith Light) é uma bem-sucedida executiva no mundo de publicidade, recém-divorciada, que vive numa aprazível casa no Connecticut com o seu filho Danny (Danny Pintauro) e a sua mãe Mona (Katherine Helmond). Sem tempo nem jeito para as tarefas domésticas, Angela decide contratar uma empregada interna para tomar conta da casa. Só que quem lhe bate à porta é Tony Micelli (Tony Danza).

Antiga estrela do basebol, Tony tem criado sozinho a sua filha Samantha (Alyssa Milano) desde que enviuvou. Para providenciar uma vida mais segura e confortável à filha, fora de Brooklyn, Tony candidata-se ao emprego. Após a surpresa inicial, os Bowers acolhem Tony e Samantha na sua casa e depressa criam com estes uma dinâmica semelhante à de uma verdadeira família. 



Angela, naturalmente introvertida e emocionalmente frágil apesar do seu sucesso, deixa-se cativar pelo espírito alegre e descontraído de Tony e entre os dois nasce uma amizade que evolui para uma atracção mútua que não se atrevem a explorar para não complicar as coisas. Tony torna-se também rapidamente amigo de Mona, que ao contrário da filha, é uma mulher extrovertida, espalhafatosa e com vida amorosa - e sexual - activa (uma personagem que bem podia fazer parte de "Sarilhos com elas", série que já abordei na Enciclopédia). E tal como Tony torna-se uma figura paternal para Danny, Mona e Angela providenciam a Samantha todo o apoio e aconselhamento feminino de que ela precisa. 
Aliás, ao longo de toda a série vemos Samantha passar de pré-adolescente a mulher feita. Alyssa Milano revelou que muitas vezes a realidade e a ficção quase se esbatiam: por exemplo, o seu primeiro beijo da vida dela foi também o primeiro beijo da personagem. Ao longo da série, enquanto encantava o resto do mundo no pequeno ecrã, Alyssa teve uma carreira musical de sucesso no Japão.

"Chefe...mas pouco" teve oito temporadas entre 1984 e 1992 (exibida em Portugal pela primeira vez em 1989). Na última temporada, Tony e Angela reconhecem finalmente que se apaixonaram, mas em vez de terminarem casados como é típico nas séries, as coisas não correm bem e decidem ficar apenas amigos. O próprio Tony Danza defendeu este rumo porque achava que contradizia o propósito essencial da série.
A série teve várias adaptações noutros países: Alemanha, Argentina, Colômbia, México, Polónia, Rússia e até uma adaptação indiana! Em Itália, o nome de Mona foi alterado para Moira porque em italiano, "mona" é um termo com conatação sexual.

À excepção de Danny Pintauro (que segundo consta, ganha a vida a vender Tupperwares), todos os actores principais prosseguem a carreira na televisão. Alyssa Milano conseguiu por fim fazer esquecer Samantha Micelli, ao encarnar Paige Halliwell em "Charmed". Nos anos mais recentes, vimos Judith Light em "Betty Feia" e Katherine Helmond em "Todos gostam do Raymond". Tony Danza teve o seu talk show entre 2004 e 2006 e continua a fazer várias participações especiais em séries.

O tema do genérico intitulava-se "Brand New Life", que ao longo da série, teve três intérpretes: Larry Weiss, Jonathan Wolff e Steve Wariner.


Gütermann - fio de seda (1969)

Fio de seda, para costurar à mão ou à máquina.

Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Liame (1969)

"Mosaicos plásticos, pavimentos e revestimentos, alcatifas - carpetes."
"Plásticos decorativos e industriais. Decorações - Tapeçarias."
"Verdadeiras Maravilhas de sonho, seleccionadas em todas as fábricas do Mundo..."

Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

terça-feira, 26 de junho de 2012

O Verão Azul (1981-1982)

por Paulo Neto

No início dos anos 80, uma série espanhola capturou habilmente toda a essência do Verão. A praia, as brincadeiras, as aventuras, os namoricos, os passeios. Mas também soube capturar os ventos de mudança que sopravam na Península Ibérica nessa altura bem como toda uma liberdade recém-adquirida, alterando mentalidades e questões sociais. Por isso, essa série tornou-se uma autêntica cápsula do tempo e o seu legado ainda hoje habita no imaginário da geração dos jovens protagonistas enquanto ainda consegue encantar novas gerações.


Obviamente que falo de "O Verão Azul" ("El Verano Azul"), provavelmente a mais famosa série ibérica a nível internacional. Os dezanove episódios foram filmados entre Agosto de 1979 e Dezembro de 1980, tendo sido exibida em Espanha pela primeira vez na TVE entre 1981 e 1982, curiosamente durante o Inverno. Mas desde então a série tem sido reposta no país vizinho em vários Verões seguintes, ao ponto de uma dos motivos pelos quais os petizes espanhóis ansiavam pelas férias grandes era voltarem a ver "O Verão Azul". Em Portugal, a série foi transmitida pela primeira vez na RTP no Verão de 1982 e foi reposta algumas vezes, sobretudo no programa "Agora Escolha", sendo que por cá optou-se por exibir cada episódio em duas partes.
Para a história ficou também o genérico com os protagonistas a andarem de bicicleta e a música com assobios, composta por Carmelo Bernaloa, que está gravado no disco rígido de todo o cidadão ibérico que era vivo nos anos 80.



A série girava à volta de um grupo de sete jovens de férias em Nerja (Málaga) e que vão vivendo muitas aventuras, enquanto também vão aprendendo várias lições de crescimento. São eles: Bea (Pilar Torres), a menina bonita do grupo; Desi (Cristina Torres), que tem pais separados e passa férias com a mãe e a tia; Javi (Juan José Artero), rapaz rebelde e orgulhoso que costuma entrar em conflito com o pai; Pancho (José Luis Fernandez), o  rapaz local, que é moço de entregas da mercearia dos tios; Manolito, mais conhecido como Piraña (Miguel Angel Valero), assim chamado por ser gordo e estar quase sempre a comer qualquer coisa; Tito (Miguel Joven), irmão de Bea e o mais pequeno do grupo; e Quique (Gerard Garrido) o melhor amigo de Javi e que era uma personagem algo vaga, comparado com todos os outros protagonistas. Ao longo do Verão, entre aventuras e desventuras e até algumas brigas, pois Pancho e Javi disputam Bea, os sete acabam por firmar uma forte amizade, que se estende a dois adultos: Julia (Maria Garralón) e Chanquete (Antonio Ferrandis).
Julia é uma pintora solitária que se torna uma espécie de tia porreira dos miúdos, com a sua mentalidade aberta e compreensão pelos problemas deles. Chanquete é um velho marinheiro, a quem o seu duro exterior esconde um bom coração e torna-se um avô adoptivo do grupo (e até dos espectadores!). Daí que a sua morte no penúltimo episódio seja uma dura lição de perda para os jovens e tenha feito chorar Espanha.


"O Verão Azul" foi também uma série inovadora ao abordar assuntos até então pouco abordados no panorama audiovisual ibérico como o divórcio, o conflito de gerações, o direito ao protesto, o meio ambiente, a especulação imobiliária e a liberdade da nova geração. Existe uma certa delineação metafórica das personagens, com os jovens a representarem a liberdade recém-conquistada e os pais deles a simbolizarem os valores antigos. Por exemplo, Javier (Manuel Gallardo), o pai da Javi, é um homem autoritário, que só pensa nos negócios e que reage mal à rebeldia do filho - pelo que os dois estão sempre em conflito - e acha que Julia não é uma boa influência para os garotos. Os pais de Tito e Bea, Carmen (Elisa Montés) e Agustín (Manuel Tejada) têm visões diferentes da paternidade: Carmen é mais conservadora e até nem gosta muito que Bea seja amiga de Desi só por esta ter os pais separados, Agustín é mais compreensivo com os jovens e costuma afirmar que os tempos são outros, se bem que quando é preciso, também saiba repreender, como quando a filha sai em segredo com um rapaz mais velho. No núcleo dos pais, recordo também os pais do Piraña, Naty (Ofelia Angelica) e Cosme (Manuel Brieva) que, como não podia deixar de ser, também eram tão gorduchos e divertidos como o filho.

Além de Espanha e Portugal, a série foi exibida em vários países, sendo a série ibérica mais importada de sempre. Outro país onde a série teve grande impacto foi na Bulgária. Existem várias histórias de encontros entre búlgaros e espanhóis em que o primeiro assunto a ser falado é "O Verão Azul". Para a geração de 70 e 80 desse país, foi a primeira vez que assuntos como o estilo de vida hippie foram exibidos na televisão. E quem tem o canal búlgaro BNT na televisão por cabo, já deve ter apanhado lá algum episódio da série, dobrada em búlgaro.

Como toda a miudagem da época, eu adorava a série. Lembro-me de brincar ao "Verão Azul" no quintal da minha avó, inventando que eu era mais um membro da pandilha, "Pablo Butragueño". Faço ideia a minha avó a ver-me a correr de um lado para o outro a falar portunhol...

Eu pensava que todos os jovens actores do "Verão Azul" tinham continuado o sucesso em adultos, mas isso só se aplicou a Juan José Artero que esteve vários anos na série "La Comisaria" onde conseguiu que o público espanhol deixasse um pouco de lado o Javi. Os outros, apesar de algumas tentativas, incluído na música (Pancho y Javi e Tito y Piraña), acabaram por seguir outros rumos. Pilar Torres e José Luis Fernandez chegaram a ter problemas com drogas, de que felizmente conseguiram recuperar. Pilar e Cristina Torres, que eram irmãs na vida real, são hoje enfermeiras; Miguel Joven é recepcionista de um hotel em Nerja e criou uma linha de merchandising da série; Miguel Angel Valero é professor na Universiade Politécnica de Madrid, onde é da praxe os seus alunos entrarem na aula a assobiarem o tema da série; Maria Garralón continua activa em televisão (vimo-la na série "Farmácia de Serviço", exibida na TVI nos anos 90) e  Antonio Ferrandis faleceu em 2000, mas a sua morte foi muito menos noticiada na imprensa que a do Chanquete.

Reunião do elenco em 2011

Em 2001, por ocasião dos 20 anos da série, o elenco reuniu-se para ser homenageado pela Câmara Municipal de Nerja. O já falecido Antonio Ferrandis e o criador da série, Antonio Mercero tiveram direito a nomes de ruas, tendo também sido inauguradas placas com os nomes das personagens e dos actores, um parque e um restaurante com o nome da série e uma réplica do La Dorada, o barco do Chanquete.

Em 2010, foi anunciado que iria ser rodado um remake da série passado na actualidade e o nome de Juan José Artero chegou a estar indicado para o papel do Javi em adulto. Mas até ao momento, o projecto ainda não saiu do papel.

Cromo sobre o "Verão Azul" na "Caderneta de Cromos"(cromo n.º 213, 5.5.2010): link YouTube
Cromo n.º 585 (25.3.2010), à conversa com Miguel Angel Valero, o Piraña do "Verão Azul": http://podcastmcr.clix.pt/rcomercial/cdc02_250311.mp3

domingo, 24 de junho de 2012

Postais - Portimão


Portimão (Edição Cómer - Ref. 1165)




Portimão (Edição Cómer -Ref. 705)

Postal - Olhão - Rua 18 Junho


Olhão - Vista parcial [perto da Rua 18 de Junho] (Postal 514)

Postal - Olhão - Siroco - Bairro dos Pescadores



Olhão - Siroco - Bairro dos Pescadores (Ref. 1223)

Postal - Olhão - Jardim Patrão Joaquim Lopes


Olhão - Jardim Patrão Joaquim Lopes (Postal 894)
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