O nosso leitor fiel
Paulo Neto enviou para a "Enciclopédia" mais uma contribuição de um filme dos anos 80. O escolhido é
"Jovens Sem Rumo", o título nacional de
"Reckless". Mas, vou dar a palavra ao Paulo Neto:
Eu descobri este filme há uns anos por acaso, numa sessão de zapping, no canal TCM, e sempre que apanho nesse canal costumo ficar a ver. Não sei qual foi o título em Portugal (ou mesmo se chegou até cá), no Brasil é "Jovens sem rumo".
Datado de 1984, "Reckless" foi realizado por James Foley ("Homens À Queima Roupa"), escrito por Chris Colombus (que viria a realizar "Sozinho em Casa" e os dois primeiros filmes do Harry Potter) e protagonizado por Aidan Quinn (o seu primeiro filme) e Daryl Hannah.
A história é simples: numa cidade industrial do Ohio, a privilegiada e popular Tracy Prescott (Daryl Hannah) dá por si farta de ser a menina perfeita e da fanfarronice do seu namorado Randy (Adam Baldwin). John Rourke é o marginal da escola, em constante conflito com o pai (que o acusa pela fuga da sua mãe) e adora viver a vida ao limite, sobretudo acelerando na sua mota. Por causa da sua rebeldia, toda a gente o culpa dos sarilhos em que se mete, mesmo quando frequentemente a culpa não é dele.
Quando um sorteio para o baile da escola junta Tracy e John como par, a atracção é mútua e imediata. Numa noite, Tracy dá por si a experimentar os prazeres da transgressão (e do sexo) com John. Porém, Tracy depressa se deixa amedontrar pelo rumo da relação e afasta-se. Mas quando John, depois de perder tudo o resto, declara-se a ela no meio da escola, ela decide correr o risco.
Não se pode dizer que seja um filme muito brilhante, aliás foi um fracasso de bilheteira. Felizmente, o sucesso de "Desesperadamente Procurando Susan" assegurou a carreira de Quinn e Hannah voltaria a ser um ícone em "Splash - A Sereia". O argumento tem vários plotholes, a relação do par amoroso tem vários momentos estranhos e até agressivos (John tem um atitude de quase stalker) valendo-se sobretudo pela química entre os actores, e o final idílico (os dois na mota estrada fora ao som de "Roll me away" de Bob Seger) acentua ainda mais a estranha relação do par para além de deixar o espectador, mesmo em empatia com eles, com muitas questões em aberto, nomeadamente como é que eles vão fazer a seguir.