Já há muito que não tínhamos um post sobre a famosa "TV Guia". Hoje um anúncio de uma página ao concursi "TV Guia" de 1981. Os prémios, sendo os anos 80 só podiam ser em grande. Não tão grande como um apartamento em Massamá, mas uma meia dúzia de viagens ao "Walt Disney World", perto de Orlando nos EUA! Portanto o concurso contou com "o apoio da revista Mickey e Viagens Nascimento"
Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 3, de 1981. Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.
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Dá para acreditar que daqui a dois meses vai começar o terceiro Europeu de futebol depois do Euro 2004? Ainda tenho bem presente toda a enorme antecipação vivida em Portugal nos anos anteriores ao início do "nosso" Euro (apenas comparável à da inauguração da Expo 98 e da passagem do milénio em tempos mais recentes) bem como o ambiente de euforia vivido ao longo do torneio. Claro que a festa acabou em tragédia grega e que depois vieram as passas do Algarve (e de Leiria, de Aveiro e tudo o mais), mas isso são outros quinhentos.
Em 1998, em plena Expo-euforia e vivendo um período de rara prosperidade onde era fácil de acreditar que estava a poucos passos de entrar no "clube dos ricos" e que o dinheiro surgia por geração espontânea, sem pensar se haveria alguma pesada factura a pagar algures no futuro, Portugal virava-se para a sua próxima oportunidade de afirmação internacional. E foi então que se decidiu apostar numa candidatura ao Campeonato Europeu de Futebol de 2004. Inicialmente até se tinha pensado numa candidatura conjunta com Espanha, mas com os nuestros hermanos a preferirem uma candidatura isolada, a Federação Portuguesa de Futebol decidiu avançar também com a sua própria candidatura. Além das duas candidaturas ibéricas, havia também uma candidatura conjunta de Áustria e Hungria. Mas cedo se percebeu que a verdadeira disputa iria ser ibérica, quase como uma batalha de Aljubarrota ou de um David luso contra um Golias espanhol.
As quatro caras principais da nossa candidatura ao Euro 2004 (pois...)
A candidatura de Portugal, - cujas principais figuras eram Gilberto Madaíl, o então presidente da FPF, Miranda Calha, o então Secretário de Estado do Desporto, José Sócrates (pois...), então Ministro Adjunto detendo a tutela do desporto e Carlos Cruz (pois...) - não se poupou a esforços, conseguindo por exemplo o apoio de figuras do futebol como Ronaldo, Pelé e Zidane. Mas aquele que foi tido um dos maiores trunfos da candidatura portuguesa foi o anúncio publicitário que foi filmado no dia 24 de Julho de 1999 no Estádio Nacional no Jamor, onde foi formado um enorme logótipo humano formado por mais de 34 mil pessoas de todo o país. E eu fui uma delas.
Infelizmente não tenho fotografias desse dia, pelo que tudo o que tenho são as memórias a serem escritas neste texto.
No Verão de 1999, eu tinha dezanove anos e estava nas férias após o meu primeiro ano universitário. Já sabia da iniciativa do logótipo humano através da comunicação social e estava interessado em participar. Soube que em Torres Novas, as inscrições eram na antiga biblioteca municipal e fui lá inscrever-me. Passados dias recebi a acreditação para entrar no estádio com alguns vales para trocar por produtos dos patrocinadores do evento (por exemplo gelados Olá, pastilhas Max Air, latas de Coca-Cola) e a informação com os horários da viagem. Também vinha um texto, "O Diário do Tiago", com um relato ficcionado do que aconteceria nesse dia. Vinha ainda indicado que eu ficaria na fila 7 do logótipo, ou seja, seria dos que ficaria mais à esquerda.
Nesse sábado, éramos cerca de cinquenta em Torres Novas para irmos até ao Jamor. Fomos de camioneta até ao Entroncamento para apanharmos o comboio até à Gare do Oriente, apanhando aí um dos autocarros da Carris disponibilizados para o efeito até ao Jamor. Dos torrejanos que foram comigo, eu só conhecia uma rapariga chamada Virgínia, que conhecia do secundário e por isso, fiquei junto ao grupo dela durante quase todo o dia.
Ao longo da tarde, enquanto todos os participantes se juntavam nas bancadas do Estádio Nacional antes de serem chamados ao relvado para formar ao logótipo, várias bandas nacionais actuaram num palco montado para o efeito. Recordo-me de que, quando estava a entrar no Estádio (onde por acaso nunca tinha estado antes), os Entre Aspas estavam em palco a cantar o seu hit da altura, "Esqueci o Nome das Coisas". Sei que estavam muitas das bandas nacionais mais populares da altura (por exemplo André Sardet, Black Company e os D'Arrasar), mas além dos Entre Aspas, só me recordo dos Pólo Norte, dos Hands On Approach que actuaram já depois do logótipo ter sido formado, e dos Excesso que durante a sua actuação o Estádio inteiro rompeu numa berraria, metade (maioritariamente feminina) a gritar de júbilo, metade (maioritariamente masculina) a vaiar e a gritar mimos que me abstenho de reproduzir.
Embora ocasionalmente eu prestasse atenção às actuações musicais, esse período dentro do estádio estava a ser um bocado secante. Como se sabe, as bancadas do Estádio Nacional não são nada confortáveis, além de que o recinto oferecia pouco abrigo ao enorme calor daquela tarde. E ainda bem que vim bem servido de sandes e bebidas, pois se fosse só a contar com aquilo que podia ir trocar no estádio com os vales da acreditação, tinha passado fome. Por exemplo, eu pensava que a Olá tinha disponibilizado vários tipos de gelados, mas afinal o único que estavam a dar era o Magnum de menta.
Até que chegou a hora de ir para o relvado formar o logótipo, que como se sabe tinha o desenho de um jogador. Consoante a sua posição, cada um recebia uma espécie de poncho com capuz, do mesmo material de uma T-shirt, de cor branca, preta, vermelha ou verde que tinham à frente impresso uma miniatura do logótipo. Eu fiquei com um branco. No entanto, primeiro que tudo ficasse composto foi mais uma seca. Pelo ecrã gigante, via-se que havia alguns buracos por preencher, bem como uma mão cheia de gente que continuava nas bancadas recusando-se a descer ao relvado (afinal tinham ido lá para quê?). Os membros da organização convenceram quem estava no relvado a vaiar essas pessoas.
O calor continuava tão abrasador que os bombeiros lançavam mangueiras de água sobre nós.
Finalmente, com alguns membros da organização e voluntários (e até Eusébio e o primeiro-ministro António Guterres) também a juntarem-se à moldura humana, o logótipo lá se compôs, ainda meio manhoso, mas nada que não se corrigisse em pós-produção. E o grande momento chegou: Ana Matias, a conhecida expert de marketing desportivo, lançou a deixa para que todos gritassem a uma só voz: "Portugal, we love football!". Após três gritos em uníssono, uns ginastas estrategicamente colocados por entre a multidão executaram a manobra previamente ensaiada de fazer mover a perna do jogador, tipo desenho animado, para fazer chutar na bola. E aí, a bola gigante colocada no canto inferior esquerdo do relvado abriu-se, soltando muitos balões vermelhos e verdes. Por fim, tocou o hino nacional que todos cantámos a uma só voz e esse foi para mim o momento mais emotivo. Para terminar, o célebre rocketman da cerimónia dos Jogos Olímpicos de 1984 sobrevoou o campo.
Quando por fim houve ordem para dispersar, resolvi ficar no relvado para assistir à actuação dos Hands On Approach, que na altura faziam sucesso com os seus hits "My Wonder Moon" e "Silent Speech". Ao som deste último, vi-me a fazer parte de um comboio humano que se movimentou ao longo do relvado. A alegria de ter feito parte daquele acontecimento era geral.
Como ao sair do estádio, perdi-me da Virgínia e dos outros, acabei por entrar no primeiro autocarro da Carris que encontrei de volta à Gare do Oriente. E vi-me no meio de um grupo de malta do Norte que passou todo o percurso em cânticos de louvor ao FCP e a Pinto de Costa e de, digamos, escárnio a Lisboa e ao Benfica e eu só pensava que estaria em apuros se algo em mim revelasse o meu benfiquismo. Até me preparei mentalmente para dizer que era da Académica de Coimbra, caso algum deles me questionasse. Felizmente que nenhum deles reparou em mim.
A viagem de volta à casa foi feita nas calmas, com muitos de nós, incluindo eu, ainda a ostentar o respectivo poncho que usado na formação do logótipo. (Sei que a minha mãe guardou-o não sei onde e que eu planeava usá-la para assistir a um dos jogos do Euro, mas não só não vi nenhum jogo do Euro 2004 ao vivo como nunca mais soube do poncho).
Só no dia seguinte, com os media em peso a falarem sobre o assunto, é que reparei na verdadeira dimensão daquilo tudo. Segundo dados oficiais, 34 309 pessoas estiveram no relvado a formar o logótipo, que bateu dois recordes do Guinness: o maior logótipo humano em termos de dimensão e número de participantes e o anúncio publicitário com maior número de figurantes, batendo o célebre anúncio da British Airways.
Com a candidatura austro-húngara a braços com problemas, sobretudo devido a uma crise na federação de futebol magiar (a Áustria viria a ter bem mais sucesso ao aliar-se a outro vizinho, a Suíça, para organizarem o Euro 2008), e a candidatura espanhola em interregno de campanha, quiçá a cheirar umas hipotéticas favas contadas da vitória, a iniciativa acabou por ter grande impacto, não só em Portugal mas além-fronteiras. Ali estava a prova de que os portugueses, com mais ou menos desenrascanço, com mais ou menos desorganização, eram capazes de muita coisa, havendo vontade e paixão. Será que este remate colectivo iria dar em golo, que é como diz, em Euro 2004?
A resposta soube-se no dia 12 de Outubro de 1999, na cidade alemã de Aachen. A expectativa estava no ar e o apuramento da selecção nacional para o Euro 2000 nesse fim de semana anterior parecia ser um bom presságio. Eu estava na Faculdade numa fila para tratar das minhas inscrições nas cadeiras do 2.º ano do curso, quando alguém que estava ao telemóvel revelou o veredicto que momentos antes se tinha ouvido da boca do então presidente da UEFA, o sueco Lennart Johansson: Portugal iria receber o Euro 2004! E eu não deixei de sentir um pouco de orgulho ao pensar que dei o meu contributo.
O que aconteceu depois é uma outra história. Outra história também será aquela em que, segundo agora conta Carlos Cruz, tal conquista também se fez através de manobras menos lícitas. Mas para sempre ficam as memórias de um verão de 1999, que foi particularmente marcante para mim pelos seus vários altos e baixos, e de vários "firsts" da minha vida. Que também são as memórias do tempo de um Portugal cheio de auto-estima e que não tinha medo em sonhar alto, um tempo que, como escreve Pedro Marques Silveira neste excelente artigo do site ZeroZero, agora não só parece distante como quase irreal.
No Facebook, existe uma página de nome "Participei no Logótipo Humano Euro2004". Se tal como eu, também participaram façam like e deixem o vosso testemunho. E já agora, deixem os vossos testemunhos aqui também.
Confesso que por vezes é um bocado difícil para mim rever no Manuel Luís Goucha actual o Manuel Luís Goucha de bigode dos anos 80 e 90 que cresci a ver na televisão, mais focado em programas culinários e muito mais comedido na condução dos programas que apresentava (culinários ou não) e a quem era possível efabular um romance com Teresa Guilherme. Mas claro que os tempos eram outros...
Além de diversos espaços de culinária na RTP, antes de se estrear na rentrée 1991/92 nos programas matinais, quem cresceu na mesma altura que eu recorda-se também de ver Manuel Luís Goucha em programas de culinária para os mais novos como "Sebastião Come Tudo", "Sebastião na CEE" (onde cada episódio era dedicado à cozinha de um dos então 12 países da então CEE) e "Mais Olhos Que Barriga". No Verão de 1991, Goucha apresentou também o concurso "Sim Ou Sopas", também dedicado à culinária e destinado ao público infantil.
"Sim Ou Sopas" foi exibido na RTP entre Maio e Outubro de 1991, num total de 20 sessões, aos sábados à tarde. Além de Manuel Luís Goucha, o programa tinha dois jovens co-apresentadores, Sónia Aniceto e Tiago Antunes, ambos de 14 anos. (E sim, a produção era de Teresa Guilherme.)
Em cada sessão competiam três equipas de dois elementos: um concorrente entre 8 e 12 anos que é o chefe da equipa e o acompanhante, geralmente um familiar, com mais de 18 anos. As bancadas de cada equipa tinham a particularidade de ter a forma de um fogão.
Em cada programa havia seis jogos:
- "Prato Favorito": o concorrente e o acompanhante fazem deslizar um prato ao longo de uma pista que contém no fundo um grelha com nove quadrados cada um com um tema. O chefe da equipa terá de responder a duas perguntas: uma sobre um dos dois temas dos quadrados onde os pratos aterraram e outra sobre o azeite, já que um dos patrocinadores do programa era uma campanha da CEE para incentivar o consumo do azeite nos seus países membros.
- "Ajudante de Cozinheiro": o concorrente terá de explicar ao acompanhante através de mímica um uma frase ou expressão relacionada com comida.
- "Tarefas": a única fase em que havia um jogo diferente em cada semana. Por exemplo, apanhar bolachas com a boca num prato com farinha, apanhar Smarties com pauzinhos ou pesar saquinhos de feijão e grão a olho.
- "Salada Russa": o concorrente terá de adivinhar quatro palavras que têm as letras trocadas e indicar a palavra que não tem nada a ver com as outras três.
- "Salada de Frutas": o acompanhante atira frutas de plástico com uma catapulta para que o concorrente, calçado com um sapatos gigantes, as apanhe com um grande copo de iogurte (a Danone era outro patrocinador).
- "Adivinha Quem Está Lá Fora": Neste último jogo, jogavam apenas as duas equipas com melhor pontuação. O acompanhante ouvia um conjunto de sons através de uns auscultadores e tinha que os explicar por mímica para o concorrente adivinhar.
No final, a equipa vencedora recebia um computador e um conjunto de disquetes com livros digitais (sim, estávamos no período áureo da bela da disquete!). As restantes equipas recebiam uma bicicleta e todos recebiam um livro de culinária para os mais novos da autoria de Manuel Luís Goucha (que na altura tinha vários livros de receitas publicados, como a famosa série "Doces Sem Açúcar"). Além disso, cada um dos cinco jogos tinha um prémio para o respectivo vencedor: estiradores e canetas de feltro Molin, walkmans, jogos electrónicos, máquinas fotográficas e discmans.
Fazendo jus ao título, quando havia um empate em cada um dos jogos, os concorrentes escolhiam um de dois cartões, um onde estava escrito "Sim" e outro que tinha escrito "Sopas", ganhando aquele que tirava o cartão com o "Sim".
Tal como muitos programas da época, "Sim Ou Sopas" era um daqueles programas que hoje podem parecer muito rudimentares mas que o meu de 11 anos recorda de o ver com muito agrado.
Por curiosidade, Sónia Aniceto, um dos jovens co-apresentadores do programa, é hoje uma artista plástica e reside em Bruxelas.
Sónia Aniceto com uma das suas obras
Uma emissão completa do 3.º programa (9 de Junho de 1991):
Uma vez mais, um agradecimento ao site "Brinca, Brincando" pelas fotos do programa
Como é sabido, por vezes não são só aqueles que sobem aos pódios dos Jogos Olímpicos que fazem história. Por vezes são aqueles que ficaram aquém do esperado que acabam por escrever uma grande história e relembrar que muitas vezes, o simples facto de competir nos Jogos Olímpicos já é uma vitória. E como o britânico Derek Redmond acabaria por descobrir, para tal bastou apenas cruzar a linha da meta.
Em 1992, Barcelona engalanou-se para receber os Jogos Olímpicos. Numa altura de profundas transformações no mapa político-geográfico, os atletas antigos países da recém-colapsada União Soviética (à excepção das repúblicas bálticas que voltaram a ter equipa própria) competiram numa equipa unificada sob a bandeira olímpica, a África do Sul regressou aos Jogos Olímpicos com o fim do apartheid, a Alemanha voltou a competir como um só país após a reunificação da RFA e da RDA, Cuba, Coreia do Norte e Etiópia regressaram após dois boicotes consecutivos, Croácia, Eslovénia e Bósnia Herzegovina competiram pela primeira vez como países independentes ao passo que os atletas das restantes repúblicas jugoslavas competiram sob a bandeira olímpica.
O basebol e o badminton passaram a fazer parte do programa olímpico oficial bem como o judo feminino. Hóquei em patins, taekwondo e pelota basca foram as modalidades de demonstração. Os Jogos de Barcelona decorreram sob ambiente de festa, da esplendorosa cerimónia de abertura com o arqueiro Antonio Rebollo acendeu a pira olímpica disparando uma flecha até ao encerramento. Cobi, a mascote oficial, tornou-se uma das mais populares mascotes olímpicas de sempre.
No entanto para Portugal, os santos da Península não fizeram milagres e embora o nosso país levasse a sua maior delegação de sempre com uma centena de atletas, não conseguiu qualquer medalha. Nem sequer no hóquei em patins onde Portugal quedou-se pelo quarto lugar. Os melhores resultados lusos foram o sexto lugar do canoísta José Garcia (que será o chefe de Missão para os Jogos Olímpicos de 2016) e o sétimo de Manuela Machado na maratona.
Os Jogos Olímpicos de 1992 foram o palco de fabulosos triunfos como os do ginasta bielorrusso Vitaly Scherbo que conquistou seis medalhas de ouro e o da equipa americana de basquetebol, a lendária Dream Team composta por estrelas da NBA. Mas uma das mais famosas histórias desses Jogos ocorreu durante uma semifinal dos 400m.
Aos 26 anos, Derek Redmond era um talentoso atleta da corrida de uma volta à pista, tendo sido recordista nacional e ganho a medalha de ouro na estafeta dos 4x400m nos Campeonatos Europeus de 1986 e nos Mundiais de 1991. Porém a sua carreira foi sempre minada por lesões. Por exemplo, uma lesão no tendão de Aquiles impediu-o de competir nos Jogos Olímpicos de 1988 minutos antes da sua primeira prova. Chegado a 1992, Redmond tinha passado por oito cirurgias.
No entanto, em Barcelona as coisas pareciam estar a correr-lhe bem. Redmond venceu as suas corridas na primeira ronda e nos quartos de final, pelo que quando se apresentou na sua corrida da semifinal era um dos candidatos a apurar-se para a final. Só que a meio da corrida, Redmond sofreu uma rotura num tendão que deitou as suas aspirações por terra. Ainda assim e apesar da extrema dor, o britânico decidiu terminar a sua prova, nem que fosse ao pé-coxinho. Entretanto, um homem tinha conseguido esquivar-se a toda a vigilância e corria na pista. Tratava-se de Jim Redmond, pai de Derek, que se dirigiu para junto do filho. Amparado pelo pai e sob uma enorme ovação do público presente no estádio, Derek Redmond cruzou por fim a linha de meta. Embora oficialmente desqualificado por causa da ajuda do seu pai, não havia como não vê-lo como um vencedor.
Alguns recordaram outro episódio protagonizado por um pai de um atleta olímpico, quarenta anos antes, quando em 1952 nos Jogos de Helsínquia, um homem todo vestido e com uma boina na cabeça lançou-se para a piscina após os 400m livres masculinos. Veio-se então a saber que era o pai do vencedor, o francês Jean Boiteux, que quis comemorar a alegria da vitória junto do filho.
Derek Redmond terminou a sua carreira no atletismo em 1994. Desde então dedicou ao basquetebol, foi comentador desportivo e também envolveu-se no desporto motorizado. Foi casado entre 1994 e 2000 com a nadadora Sharron Davies (medalhada nos Jogos Olímpicos de 1980) de quem teve dois filhos. Jim Redmond foi um dos que transportaram a tocha olímpica dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.
Derek Redmond em 2013
Jim Redmond em 2012
E afinal quem acabou por ganhar os 400m nos Jogos Olímpicos de 1992? Foi o americano Quincy Watts, que no ano seguinte protagonizou um divertido anúncio da Nike, onde durante uma ópera um viking propõe-lhe uma troca dos seus ténis super-almofadados pela sua esposa "super-almofadada". Watts recusa a proposta e foge do palco, enquanto a tal viking almofadada grita "QUIIIIIIIIIINCY!".
No passado dia 30 de Março, Céline Dion fez 48 anos. Certamente que este aniversário não foi dos mais alegres da sua vida uma vez que no início deste ano, a cantora perdeu no espaço de dias o seu marido René Angelil e um dos seus irmãos. Hoje em dia, Dion parece contentar-se com os seus espectáculos residentes em Las Vegas e em gravar o disco ocasional, mas nos anos 90 fez parte da santíssima trindade de divas baladeiras campeãs de vendas, juntamente com Mariah Carey e Whitney Houston. E sim, admito que fui um grande fã de Céline Dion nessa altura.
Entre os vários hits que a canadiana colheu ao longo dessa década, um dos meus preferidos é a faixa que abre o álbum de 1996 "Falling Into You", do qual eu tinha um exemplar, e que nessa versão estende-se por uns sete minutos e trinta e sete segundos (menos dois minutos na versão do single): "It's All Coming Back To Me Now", escrita por Jim Steinman, o Wagner do rock, autor de grandes épicos como "Total Eclipse Of The Heart" de Bonnie Tyler, "Nowhere Fast" do filme "Estrada de Fogo" e todo o lendário álbum "Bat Out Of Hell" de Meat Loaf.
Segundo Steinman o tema foi inspirado pela obra "O Monte Dos Vendavais" de Emily Bronte e aborda temas como o amor obsessivo e a ténue linha entre o amor e o ódio. Nas estrofes, o sujeito poético afirma que já ultrapassou esse amor mas no refrão confessa que basta um certo gesto para que todos esses sentimentos regressem em força.
A voz de Céline Dion corresponde à grandeza da composição e a sua versão foi um êxito comercial, chegando ao n.º 1 do top da Bélgica-Flandres, n.º 2 nos Estados Unidos, Canadá e Irlanda e n.º 3 no Reino Unido. Em alguns países, o lado B do single foi "The Power Of A Dream", o tema que Céline Dion cantou na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1996. Recentemente Ariana Grande interpretou este tema por entre as várias imitações que fez durante um sketch do "Saturday Night Live".
O videoclip foi filmado num castelo na República Checa e mostra Dion confrontada com imagens dos momentos passados com o seu amado, que ao início morre num acidente de moto. O vídeo foi comparado ao de "Un-break My Heart" de Toni Braxton, que saiu na mesma altura e também começava com o amásio da protagonista a perecer num desastre de moto.
O que muita gente não saberá é que a versão de Céline Dion de "It's All Coming Back To Me Now" era a segunda das três vidas desse tema. A primeira remonta a 1989, para o projecto Pandora's Box e o álbum conceptual "Original Sin". Querendo explorar o lado feminino das suas composições, Jim Steinman criou o projecto reunindo algumas das suas session singers preferidas para dar voz às faixas de "Original Sin". Para além de temas originais, o álbum continha algumas covers, como a de "Twentieth Century Fox" dos The Doors. Embora o disco tenha sido um fracasso comercial (excepto, Wikipedia dixit, na África do Sul), a maioria das canções seriam regravadas com maior ou menor notoriedade por outros artistas. A versão original de "It's All Coming Back To Me Now" foi interpretada por Elaine Caswell e foi o primeiro single do álbum, acompanhado de um vídeo soft-core realizado por Ken Russell. O outro single do álbum foi "Good Girls Go To Heaven (Bad Girls Go Everywhere)".
Um dos grandes fãs da canção era o habitual comparsa de Jim Steinman, Meat Loaf que sempre demonstrou vontade de gravar a canção. Porém Steinman estava hesitante por achar que a canção só ficava bem com uma voz feminina e por isso, não foi incluída no álbum de 1993 "Bat Out Of Hell 2", o tal que continha o igualmente épico "I'd Do Anything For Love (But I Won't Do That)".
Mas em 2006, para a gravação do terceiro volume da saga "Bat Out Of Hell", Meat Loaf levou a sua avante e gravou o dueto com a cantora norueguesa Marion Raven (que fez parte do duo M2M, cujo tema mais conhecido foi "Don't Say You Love Me", de 2000, da banda sonora do filme "Pokémon").
Qualquer estranheza que se possa ter ao ouvir um Meat de 59 anos e uma Marion de 22 a cantarem juntos de forma tão romântica é explicada no videoclip onde Marion faz do fantasma de um amor perdido da juventude do sr. Loaf.
O David Martins já falou aqui sobre esta mítica colecção de livros da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada que conquista jovens leitores desde 1982. E eu não fui excepção, tendo sido proprietário de vários volumes da colecção "Uma Aventura" quer nas edições originais, quer em edição dupla com dois volumes, comercializada pelo Círculo de Leitores.
Claro está que houve uma altura em que considerava Teresa, Luísa, Pedro, Chico e João como meus grandes amigos fictícios e em que eu imaginava ser o sexto membro humano (e oitavo no geral) do grupo. E como é óbvio para aqueles que me conhecem, aquele com quem mais me identificava era com o Pedro, o cérebro do grupo, apesar de na altura eu ainda não ser caixa-de óculos.
Também li alguns livros de "Os Cinco" e "Os Sete", mas sempre achei que os livros de "Uma Aventura" que não ficavam nada a dever aos de Enid Blyton. Aliás, se esta colecção tivesse sido de um país anglo-saxónico, quase que imagino estes livros a serem vendidos à escala mundial, traduzidos em inúmeras línguas e adaptados para séries e filmes com um budget bem maior do que aquele que teve a adaptação nacional na primeira década do século XXI (que apesar das várias mudanças de elenco e outras vicissitudes, até estava bem conseguida).
Neste texto pretendo falar sobre os cinco livros da colecção "Uma Aventura" preferidos. Confesso que já há largos anos não leio nenhum livro da colecção, que já está quase no 60.º volume, mas recordo-me de muitas das histórias. Como acontece com quase todas os top 5 que faço, tenho de mencionar alguns que estiveram quase, quase para entrar na lista mas falharam por pouco: "Uma Aventura nas Férias de Natal" (n.º 2), onde o grupo lança-se numa caça ao tesouro numa aldeia de Trás-Os-Montes, "Uma Aventura Entre Douro e Minho" (n.º 6) com o grupo perseguir uma quadrilha de ladrões que efectuam vários roubos no Minho e que culmina num emocionante e hilariante final na Ilha dos Amores, "Uma Aventura no Estádio" (n.º 14) onde eles investigam o desaparecimento de um famoso futebolista, "Uma Aventura nas Férias da Páscoa" (n.º 19) que começa com um inesperado nevão em Lisboa e "Uma Aventura no Palácio da Pena" (n.º 26) onde além de se envolverem numa intriga que envolve roubos e monstros, havia uma ninfeta intrujona chamada Magda que causa tensões que ameaçam a união do grupo. Mas eis então o meu top 5:
#5: "Uma Aventura na Cidade" (n.º 1)
E começamos com o livro que começou tudo, onde se conta como se formou o grupo. E afinal tudo começou de forma não muito amistosa, já que a primeira cena era precisamente de pancadaria entre o Chico e o Pedro, que ao princípio não podiam um com o outro. Porém tudo muda quando as gémeas recorrem aos dois para investigar os acontecimentos que passam numa garagem perto do prédio onde elas vivem, que poderão estar relacionados com o roubo de automóveis. Perante a necessidade de alguém mais pequeno para entrar na garagem, acabam por ter o candidato ideal no João, que surge pela primeira vez quando o Faial segue-o até à escola e causa aflição no bar.
O clímax acontece quando os cinco armam grande alarido para apanhar a quadrilha de ladrões de automóveis em flagrante, com a ajuda dos dois cães e de um papagaio.
#4: "Uma Aventura no Ribatejo" (n.º 9)
Este volume destaca-se para mim por dois motivos: passava-se na minha região, o Ribatejo, (embora não haja referência à minha cidade) e algures no meu 4.º ano, a professora tinha o hábito todos os dias antes das aulas de ler um capítulo deste volume. Mais uma vez a trama é emocionante: o grupo vai passar uns dias ao Ribatejo onde têm sido noticiadas alegadas aparições de OVNIs e eles esperam secretamente ter um desses encontros imediatos. Mas a Tia Estefânia, uma tia das gémeas que vive em Santarém, acredita que isso não passa de um engodo para distrair a população de ocorrências de roubo de gado. Intrigados, os cinco amigos decidem investigar essa história, seguidos por um misterioso homem de sobretudo que não sabem se é aliado ou inimigo. Onde também se fala dos bolos celestes da pastelaria Abidis, dos anões da Branca de Neve e onde a Luísa quase vai desta para melhor ao tentar montar um cavalo. Além disso, também há uma participação especial na trama dos actores Tareka e Tozé Martinho, mãe e irmão na vida real da co-autora Ana Maria Magalhães.
#3: "Uma Aventura no Algarve" (n.º 12)
De um livro que se passa na minha região, para um que decorre na região natural do David, ainda que numa praia fictícia. Os cinco amigos e os dois cães vão passar o início das férias grandes à pensão do tia do Chico e o que parecia serem umas férias sossegadas numa praia de sonho algures num recanto algarvio ainda pouco explorado pelo capitalismo turístico acaba por se complicar quando suspeitam que a zona seja o centro de uma rede de contrabando. Pelo meio, há uma excêntrica actriz americana, um misterioso jardineiro contador de histórias, um enorme incêndio e um mordomo com aparente dupla personalidade.
Mas a minha parte preferida é a descrição da primeira ida à praia dos amigos, que dava-me sempre vontade de entrar no livro e juntar-me a eles. Mas é claro que em 1985 (ano da 1.ª edição deste volume) ainda era possível imaginar o Algarve sem exploração turística desenfreada.
#2: "Uma Aventura nas Ilhas de Cabo Verde" (n.º 25)
Um dos livros mais épicos da colecção, com a aventura ser um grande périplo por quase todo o arquipélago cabo-verdiano. Como prémio por terem vencido um concurso de televisão, os cinco amigos ganham uma viagem a Cabo Verde. Só que mais uma vez, aquilo que seriam umas férias pacíficas de dolce far niente acabam por se tornar mais uma grande aventura logo no voo de partida quando o grupo suspeita que Mário, um rapaz cabo-verdiano, foi raptado por dois italianos mal encarados que o acompanham. Mais tarde descobrem que os indivíduos andam atrás de um tesouro escondido algures numa das ilhas e os cinco amigos seguem no seu encalço, esperando antecipá-los na descoberta do tesouro e libertar Mário do domínio dos italianos. Pelo caminho, há um concerto rock na Baía das Gatas, um ciclone na ilha de São Nicolau e um inesperado aliado na pessoa de um pescador de lagostas surdo-mudo.
#1: "Uma Aventura no Deserto" (n.º 21)
Mas o número 1 vai precisamente para o primeiro livro da colecção que eu li, emprestado pela minha prima. Segundo as autoras, a ideia para uma aventura no deserto do Sahara foi sugerida por uma leitora de São Tomé e Príncipe. Se nos outros livros, os cinco amigos lutavam contra ladrões, bandidos e traficantes, aqui eles lutam contra a própria Natureza numa das suas formas mais hostis.
Tudo começa quando o Chico, desejoso de reviver alguns momentos vividos em "Uma Aventura na Terra e no Mar", desafia os amigos a viajarem a bordo de um barco pesqueiro ao largo da costa marroquina. Mas a tragédia acontece quando o navio naufraga e os cinco mais o Faial vêem-se abandonados à sua própria sorte no Sahara, numa terra agreste e totalmente diferente de tudo o que eles conhecem. Após algumas aflições, são acolhidos por uma tribo de tuaregues onde travam novas amizades, em especial com Mahmoun, um rapaz que fala português, e aprendem os seus costumes. Mas antes de chegarem ao oásis mais próximo, o Chico e a Teresa são raptados e aprisionados numa kasbah por uma tribo rival, que talvez também tenha matado o Faial. Apanhados no meio da contenda entre as duas tribos, Pedro, João e Luísa lançam-se numa luta contra o tempo para resgatar os amigos. Mas é claro, tudo acaba bem e a aventura não podia terminar de melhor forma com um mergulho numa piscina de um hotel no oásis de Tamegroute.
Como vêem através deste livros, eu e muitos outros jovens leitores pudemos viajar para imensos sítios e viver todo o tipo de emoções. E é bom ver que ainda hoje as novas gerações se deixem encantar por estas aventuras imaginadas por Magalhães e Alçada, e com isso descobrem o prazer de ler.
Ao contrário de outros filmes eighties, este pode não gritar a década que foi feito por todos os poros, até porque se passa anos 60, mas sem dúvida que "Dirty Dancing - Dança Comigo" de 1987 é um dos filmes incontornáveis dos anos 80. O que começou por ser um filme de baixo orçamento de um novo estúdio acabou por ser um sucesso de bilheteiras e de vendas em VHS e DVD, que quase trinta anos depois continua a cativar os espectadores.
"Dirty Dancing" foi realizado por Émile Ardolino e era baseado em acontecimentos da vida da argumentista Eleanor Bergstein, com Patrick Swayze e Jennifer Grey nos principais papéis.
No verão de 1963, Frances Houseman (Grey), que todos tratam por Baby, é uma jovem de 17 anos que vai passar férias na estância de Kellerman, nas montanhas de Catskills no sul do estado de Nova Iorque, com os seus pais Jake (Jerry Orbach) e Marjorie (Kelly Bishop) e a sua irmã Lisa (Jane Brucker). Certa noite, ela fica fascinada pelas danças dos empregados da estância nas festas secretas que eles organizam, onde a estrela é o instrutor de dança Johnny Castle (Swayze).
Quando sabe da gravidez de Penny Johnson (Cynthia Rhodes), a parceira de dança de Johnny, Baby decide ajudá-la, pedindo dinheiro ao seu pai para que Penny possa fazer um aborto e aceitando substitui-la num espectáculo que ela e Johnny têm todas as semanas noutra estância, para ganharem algum dinheiro extra. E por entre as lições de dança, surge a paixão entre Baby e Johnny.
Porém tudo se complica quando o "médico" que fez o aborto a Penny era afinal um intrujão de vão de escada que a deixou em estado grave. A pedido de Baby, Jake consegue salvá-la e assumindo que foi Johnny quem engravidou Penny, proíbe a filha de se dar com ele e com os empregados. Na verdade, quem engravidou Penny foi Robbie (Max Canto), um empregado de mesa interesseiro que arrasta a asa a várias mulheres na estância, incluindo Lisa. Além disso, Johnny é acusado de roubo por Vivian Pressman (Miranda Garrison), uma cliente da estância a quem ele negou favores sexuais. Apesar de se descobrir que os autores do roubos na estância era um insuspeito casal de idosos, Johnny é despedido e Baby sofre com a sua partida.
Mas tudo acaba em bem, com Johnny a entrar na festa de encerramento da época e a desafiar Baby para uma dança ao som de "(I've Had) The Time Of My Life", culminando no mítico salto com elevação. De permeio, Jake e Johnny esclarecem os mal-entendidos e toda a gente acaba dando o gosto ao pé de dança.
Os produtores estavam tão pessimistas quanto a "Dirty Dancing" que até consideraram lançá-lo directamente em vídeo mas o filme que quase ninguém iria ver tornou-se um dos maiores sucessos de 1987. "(I've Had) The Time Of My Life", interpretado por Bill Medley e Jennifer Warnes, ganhou o Óscar de Melhor Canção e Patrick Swayze e Jennifer Grey foram nomeados para o Globo de Ouro.
E a popularidade foi continuando nos anos que se seguiram: foi o primeiro filme a vender um milhão de cópias em VHS e ainda hoje regista centenas de milhar de vendas anuais de DVD por ano, encorajou milhares de pessoas pelo mundo fora a terem aulas de dança, um inquérito britânico listou-o como o filme mais visto por mulheres, competições de "dirty dancing" têm lugar um pouco por todo o mundo e frases como "Nobody puts Baby in the corner!" e "I carried a watermelon" ficaram para a história.
Além disso, a banda sonora que misturava clássicos dos anos 60 com temas dos anos 80, como o já referido "(I've Had) The Time Of My Life", "Hungry Eyes" de Eric Carmen e "She's Like The Wind" interpretado pelo próprio Patrick Swayze, vendeu mais de 32 milhões de cópias. Em 2004, foi lançada um prequela "Dirty Dancing: Havana Nights" onde Patrick Swayze teve uma participação especial, e um musical da Broadway. ACTUALIZAÇÃO: Em 2017, houve um remake em telefilme de "Dirty Dancing" com Abigail Breslin, Colt Prattes, Sarah Hyland, Debra Messing e Nicole Scherzinger respectivamente nos papéis de Baby, Johnny, Lisa, Marjorie e Penny.
Jennifer Grey e Patrick Swayze já tinha contracenado junto em "Red Dawn - Amanhecer Violento" (1984) e não se tinham dado muito bem, mas em "Dirty Dancing" descobriram uma inesperada química que transparece no ecrã. Num texto do site Movie Pilot são dadas oito razões pelo qual "Dirty Dancing" é um clássico e eu estou de acordo com todas elas, sobretudo na forma como aborda temas sérios como o aborto e a diferença de classes sociais e como os espectadores (sobretudo as espectadoras) se podem identificar com Baby. Ali estava uma miúda normal, gira sem ser deslumbrante, desajeitada e nerdy mas adorável, em busca de aventuras, a dar-se com a malta fixe e a conquistar o bonitão das redondezas. Aliás, como se sabe, a carreira de Jennifer Grey foi-se abaixo quando ela operou a sua célebre e adorável penca.
Já vi "Dirty Dancing" algumas vezes, a primeira das quais na célebre "Sessão da Noite" de sexta-feira, o mítico espaço de cinema da RTP1 do início dos anos 90, mas a mais original foi sem dúvida durante um passeio da escola no 7.º ano a Sintra. Pela primeira vez, fomos numa camioneta que tinha leitor de vídeo e sabendo disso, alguns colegas trouxeram cassetes para vermos na viagem. Na ida vimos "Curto-Circuito" e na volta "Dirty Dancing". Belo double feature sobre rodas, verdade?
Por coincidência, ontem publiquei no Instagram uma imagem de um calendário de bolso do filme, Teenage Mutant Ninja Turtles II: The Secret Of The Ooze/Tartarugas Ninja II O Segredo da Lama Verde (1991) que decerto já mencionei, é especial para mim - não por ser uma obra prima - mas por ter sido a primeira fita que assisti numa sala de cinema e faz hoje 25 anos que estreou [22 de Março de 1991], por coincidência a data em que se comemora a primeira sessão de cinema, pela mão dos irmãos Lumière (em 1895).
Segundo o IMDB, a película chegou a Portugal em Agosto de 1991.
Alguns dos meus exemplares da colecção oficial de calendários de bolso.
Tenho ainda na minha posse alguns dos calendários de bolso que coleccionei na altura, por entre uma grande quantidade de merchandising dos "Tarta-heróis" disponível desde o sucesso da série animada e das figuras de acção.
O Trailer de Tartarugas Ninja II O Segredo da Lama Verde (1991):
A "lama verde" do título refere-se à substancia mutagénica que esteve na origem da transformação das Tartarugas Leonardo, Raphael, Michelangelo e Donnatelo (e o seu mestre Splinter) nas suas formas humanóides; e que o vilão Shredder pretende empregar para criar um exército de criaturas ás suas ordens.
Nesta segunda aventura em imagem real (numa mistura de homens em fatos de tartaruga com elementos animatrónicos), o nível de violência foi muito suavizado, comparado com o primeiro filme, que era mais inspirado na banda desenhada original (não aquela publicada entre nós entre 1991 e 1992 com o título "Os 4 Jovens Tarta-Heróis - Turtles Aventuras", e que terão um cromo próprio) apesar de elementos retirados da série animada; e foram escolhidos novos actores para as vozes de Raphael e Donnatelo, e para o papel da repórter April O'Neil, Paige Turco (Person Of Interest) substituiu Judith Hoag. Um bom upgrade, na minha opinião! Como esperado, o filme foi censurado no Reino Unido, por causa dos nunchakus - a arma do brincalhão Michelangelo - apesar de por exemplo na sequência inicial ser simulado o seu uso com - salsichas!; e por exemplo na Alemanha acrescentaram ruídos de desenhos animadosnas sequências de lutas. Lembram-se que versão passou nos nossos cinemas? Curiosamente, a dupla de vilões trapalhões preferida dos fãs, Bebop (o mutante javali) e Rocksteady (o mutante rinoceronte) não pode ser usada por motivos de direitos de autor e voilá, foram criados Rahzar e Tokka para os substituir.
A nível de música, o grande sucesso da banda sonora foi o "Ninja Rap" (também conhecida pelo refrão "Go Ninja, Go Ninja!", interpretado pelo futuro reformador de casas Vanilla Ice, na época um dos rappers mais famosos do planeta.
Além do videoclip abaixo, Vanilla Ice tocou o tema numa cena do filme, durante uma luta no espectáculo [ver aqui].
Capa da adaptação oficial a BD.
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