domingo, 8 de junho de 2014

Gremlins - Estreia em Portugal (1984)


Ainda hà pouco escrevi sobre a estreia portuguesa do êxito "Os Caça-Fantasmas" (Ghostbusters), mas curiosamente há outro êxito que partilhou com esse a data de estreia nos Estados Unidos, outro clássico da comédia e terror: "Gremlins", conhecido entre nós pelo mais explicito título "Gremlins - O Pequeno Monstro". Curiosamente, o material nacional da época que encontrei online refere apenas "Gremlins". No entanto, o filme estreou em Portugal antes de "Os Caça-Fantasmas", no dia 30 de Novembro de 1984.
Novamente recorro ao arquivo do "Diário de Lisboa":
Entre as estreias da semana, nos cinemas lisboetas:
 Ainda a crítica de Jorge Leitão Ramos no "Diário de Lisboa" de 13 de Dezembro de 1984:

 Alguns excertos:
"(...) o cinema feérico de Lucas e Spielberg, (...) é uma máquina de diversão muito bem oleada mas cujo destino se confina a essa superficial agitação, morre ali, à mingua de futuro, de descendência, fechada num conjunto de temas, referências e estratégias que são coerentes, pontualmente interessantes, mas a longo prazo, rigorozamente estéreis.
Gremlins (...) é já um momento em que algo deixa de deslizar. Seja porque a avidez pelo merchandising é escancarada, seja porque a moral da história é algo serôdia, seja porque as ficções familiares com rasteiros simbolismos sociais tenham os cordéis do conformismo à vista, seja porque a gente se canse de ser tratado como se tivéssemos idade mental de sete anos, o certo é que Gremlins funciona mal".
A crítica ainda elogia levemente os efeitos especiais, a actuação de Frances Lee McLain, e alguma astúcia do filme: "(...) o fofinho mogwai que dá origem a zougados filhos e sinistros netos, numa clara significação da turbulência de gerações que crescem incontroladamente". Segue-se mais rectórica sobre o vazio do cinema comercial norte-americano.


"Gremlins" foi realizado por Joe Dante ("No Limiar da Realidade", "Piranha"), produzido por Steven Spielberg, com argumento de Chris Columbus (o argumentista de "Os Goonies" e futuro realizador dos dois primeiros "Harry Potter...").
Um rapaz recebe um misterioso animalzinho de estimação, uma pequena e fofa criatura, um mogwai a que chama Gizmo. Mas debaixo da aparência peluda e inofensiva, há um perigo inacreditável: quando as três regras de cuidado de um mogwai são quebradas, surgem criaturas meléficas e perigosas, os destrutivos Gremlins do título. Segue-se obviamente, o caos e a luta dos protagonistas para devolver a comunidade à normalidade. E para referência futura, as regras para cuidar de um mogwai: Não o molhe, não o alimente depois da meia-noite e não o exponha a luzes fortes. Se cumprir as regras, tudo estará bem.

O Trailer:


Actualização: scan de um poster nacional enviado pelo leitor João Mestre, com a referência "Pequeno Monstro":


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Os Caça-Fantasmas - Estreia em Portugal (1984)



O ano de 1984 foi fértil em filmes que ocupam a constelação dos clássicos da cultura pop. E quando se assinala a passagem de três décadas da estreia norte-americana (8 Junho 1984) da comédia "Os Caça-Fantasmas" ("GhostBusters" no  original) fui pesquisar como a imprensa nacional tratou o filme na estreia em 13 Dezembro 1984.


O Trailer:


Encontrei alguns recortes no precioso arquivo do jornal "Diário de Lisboa", incluindo o poster nacional e uma críticado filme de Ivan Reitman, protagonizado por Dan Aykroyd, Bill Murray, Sigourney Weaver, Harold Ramis, Ernie Hudson e Rick Moranis.

O poster nacional, uma variação de um dos posters internacionais:

"Uma comédia louca em terrenos <<fantásticos>> que este ano pulverizou todos os records de bilheteira nos Estados Unidos" 
in "Diário de Lisboa" 1984/12/14
"Pegando na temática <<fantástica>> em moda, Os Caça-fantasmas aborda-a pela vertente do humor espalhafatoso e com aquele cabotinismo que é característico da maior parte do riso americano (que, em regra prefere ser escancarado a ser subtil), junta a isso alguns efeitos especiais espectaculares, mistura uma banda musical de batida firme, a ficar no ouvido e a fazer mexer o pezinho, embrulha o conjunto sob um logotipo de rara felicidade. A conjugação disso tudo resulta num espectáculo despreocupante, divertido, onde se embarca com uma distância alegre, que se consume com infantil contentamento e sem mais objectivos que o de hora e meia de evasão."

in "Diário de Lisboa" 1984/12/14
 Na imagem acima, Jorge Leitão Ramos ainda disserta sobre a banda sonora, marcada pelo hit global de Ray Parker Jr., "Ghostbusters" [recorde o videoclip]

Actualização: scans de posters publicados nos jornais da época, enviados pelo leitor João Mestre:

O poster acima, da 5ª semana de exibição, além da indicação que a Banda Sonora Original está editada por Dacapo, cita os críticos Lauro António ("Aposta na aventura, no insólito, no fantástico, e ganha...") e Eurico de Barros (..Uma comédia sobrenatural innigualável...).





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sábado, 7 de junho de 2014

Godzilla - O Monstro do Oceano Pacífico (1954)



O original filme do monstro Godzilla, o “Gojira” de 1954, estreou em Portugal no dia 24 de Julho de 1957, no cinema Odeon ás 21:45, com o inusitadamente longo título português: "O Monstro do Oceano Pacífico". Vamos então recordar o que se escreveu na época:

"Um estranho ser atravessa uma cidade numa fúria de destruição".

Aprovado pela censura - conforme o carimbo visivel no canto superior direito dos posters, tinha classificação “17 anos”. Curiosamente, um dos recortes do “Diário de Lisboa” indica o filme como um produção americana, talvez confusão com a versão americana “Godzilla, King Of The Monsters" de 1956, que utilizou as filmagens do original japonês misturado com novas filmagens com o actor Raymond Burr. No mesmo jornal, nos créditos constam apenas os nomes dos actores japoneses.

"Um ser estranho dum mundo extinto ataca, uma cidade. É radioactivo e queima tudo por onde passa. O povo foge apavorado. Será o ultimo dia da civilização?"

"Mais forte do que "King Kong""

"O Monstro do Século"

"Um filme único na história do cinema!"

"Um filme que proporcionará ao publico as mais fortes e penetrantes emoções que um espectaculo lhe pode dar."

"Os Japoneses, mestres da composição das monstruosas figuras que aparecem também em cortejos chineses, criaram para o cinema «O Monstro do Oceano Pacifico». complicando-o com a radioactividade resultante das experiências atómicas que bem conhecem também.
«O Monstro do Oceano Pacifico», «Godzilla» na lenda nipónica. viveu milhões de anos nas profundas cavernas do oceano, de onde foi expulso pelas referidas experiências e contaminado pela radioactividade, e a sua presença espalha o terror no Japão, até que um cientista o faz explodir. A história é relamente explosiva, e exótica a representação por parte de artistas nipónicos como Takashi Shirmura, Akira Takarada e Akihiko, e grandes massas de indigenas.”

in Diário de Lisboa [23, 24 e 25 de Julho de 1957]




O Trailer japonês:


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sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Guerra das Estrelas - A Estreia em Portugal

Pouco há a acrescentar ao que já foi escrito sobre a saga "Star Wars", "A Guerra das Estrelas" em português de Portugal. Mas achei interessante recordar a sua estreia em território nacional.

Star Wars” ("A Guerra das Estrelas"), futuramente conhecido por “Star Wars Episode IV: A New Hope” ("Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança"estreou nos EUA no dia 25 de Maio de 1977.
Em Portugal, a estreia ocorreu a 6 de Dezembro de 1977, com a classificação de ‘Não Aconselhado a Menores de 13 anos’.
E o que tinha a crítica nacional ( parte dela pelo menos) a dizer sobre este clássico intemporal, que revolucionou o cinema há quase quatro décadas? Vejamos:
"Um filme de delirante imaginação, espécie de colagens de todos os géneros cinematográficos unificado sob o rótulo de ficção cientifica, pretexto para um infindável número de trucagens.
Sem a perfeição e profundidade de 2001, A guerra das estrelas é um imenso divertimento, a exploração de todas as histórias da nossa juventude, um espaço de feliz relaxação. O que não nos deve fazer equecer outros aspectos do filme, menos evidentes”
in Diário de Lisboa 1977/05/10

"Com A guerra das estrelas entramos no domínio do filme fascinantemento lúdico, milimetricamente estudado para nos fazer (com gosto) nele entrar, uma amálgama de muito do imaginário contemporâneo condensado numa obra de ficção científica. e não há quem não goste de, com ele, brincar.
É porém essa evidência, esse operador universal mágico, que acaba por nos levantar algumas reservas. Jogando à defesa, escudando-se no perfeito domínio da técnica e da narrativa, Lucas fez sucesso imediato mas não para durar.” 
in Diário de Lisboa 1977/05/17

"De perfeição técnica e de uma sábia colagem de pedaços do imaginário de todos nós (os ocidentais que leram Flash Gordon vibraram com Shane, viram A Patrulha da alvorada de Hawks e adormecera, adolescentes, com Galahad, Lancelote e Ivanhoe) se faz este tremendo sucesso chamado A Guerra das estrelas.
Jogando, assim, na aceitação garantida, no jogo bonito, epidermicamente empolgante, George Lucas escuda-se numa segurança que não arrisca um milímetro.
É por isso que A Guerra das Estrelas, para além de um breve divertimento lúdico, fica com um certo sabor a desilusão.” 
in Diário de Lisboa 1977/05/24

Apesar do reconhecimento das raízes da saga, o autor das críticas obviamente não consegui prever a longevidade e influência da saga no cinema e na cultura pop das próximas décadas.

O Trailer:

Leitores que foram ver este filme no cinema, queremos saber as vossas experiências! Como foi ver o primeiro capítulo desta space opera no grande ecrán? Pessoalmente, só já assisti a Star Wars na televisão e mais tarde VHS e DVD. Mas fiquei fisgado logo à primeira visualização, mesmo no pequeno ecrã...

Actualização:Antes da estreia do "Episódio 7" da Saga, "Star Wars: O Despertar da Força" ["Star Wars: The Force Awakens"] o crítico de cinema Jorge Mourinha recorda a sua experiência pessoal por altura da estreia do primeiro "Guerra das Estrelas" em Portugal em 1977: "Há muito tempo na longínqua terceira fila do Monumental" [Público].
No Jornal "Público" um artigo assinado por Marco Vaza, desenvolve as reacções de outros críticos em diferentes fontes de imprensa da época: “Sucesso imediato, mas não para durar” [Público].

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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Canções dos Mundiais de Futebol

por Paulo Neto

Tal como nos Jogos Olímpicos (como se viu neste cromo) também a partir da década de 80, a música passou a ser parte integrante dos Mundial de Futebol, sendo que a cada edição há pelo menos um tema que não conseguimos ouvir sem recordar um respectivo Mundial.


Eu tinha apenas dois anos aquando do meu primeiro Mundial, o de 1982 em Espanha, pelo que não tenho quaisquer memórias dessa edição, a não ser uns autocolantes da mítica mascote do Naranjito colados em carros e janelas. Por isso, o primeiro Mundial de que me recordo foi o de 1986 no México. Inicialmente atribuído à Colômbia, que viria a desistir por motivos financeiros, o México tornou-se o primeiro país a receber pela segunda vez o Mundial de Futebol, que teve como mascote uma simpática malagueta com sombrero, de seu nome Pique. 24 países participaram, incluindo o Iraque já regido por Saddam Hussein e Portugal, que regressava ao Mundial vinte anos depois do brilharete de 1966, mas cuja participação foi decepcionante, marcada pelo caso Saltillo. O Mundial de 1986 acabou por ser da Argentina, que viria a vencer, e mais concretamente de Diego Maradona, que no lendário jogo contra a Inglaterra marcou dois golos: o primeiro com a "mão de Deus" e o segundo num rasgo de brilhantismo raramente visto.
O Mundial teve um tema oficial cantado em inglês, "Special Kind Of Hero" interpretado pela britânica Stephanie Lawrence, mas a maioria recordará sobretudo esta cantiga em tom de banda filarmónica cujo refrão soava assim: "México 86, México 86, donde se vive la emoción, México 86, México 86, el mundo unido por un ballón!"

 





Dizem os especialistas que o Mundial de 1990 em Itália foi o pior de sempre, com poucos golos, jogos pouco emocionantes e um recorde de 16 cartões vermelhos. Não fosse a irreverência da equipa dos Camarões, liderada pelo "velhinho" Roger Milla, que não só derrotaram a campeã Argentina no jogo de abertura como chegaram até aos quartos de final e seria uma edição de cinzento total de ponta a ponta, incluindo na final onde venceu uma Alemanha pós-queda do Muro de Berlim e pré-reunificação.
Já na música, ou não estivéssemos em Itália, as coisas foram bem melhorzinhas. Para ilustrar a sua cobertura do Mundial, a BBC escolheu a conhecida ária "Nessun Dorma" da ópera Turandot, interpretada pelo inigualável Luciano Pavarotti (chegando ao n.º 2 do top britânico). E para o tema oficial, nada melhor do que juntar duas vozes poderosas, Edoardo Benatto e Gianna Nannini, para cantarem "Un' Estate Italiana". Embora eu fosse fã de Gianna Nannini, sobretudo dos seus hits "Bello e Impossibile" (1986) e "Voglio Fare L'Amore" (1988), confesso que na altura tinha um bocado de medo dela. A irmã do ás do volante Alessandro Nannini não só tinha aquela voz áspera como emanava uma aura de bad girl, capaz de dar porrada a qualquer mastronço que se metesse com ela.  






O Mundial de 1994 nos Estados Unidos, onde o Brasil conquistou o quarto título, foi um dos mais musicais. Foi o primeiro Mundial a ter um álbum oficial (que continha perenes hinos de estádio como "We Are The Champions" dos Queen e "The Best" de Tina Turner) e as festividades tiveram a presença de várias estrelas da música como Jon Secada, Richard Marx e Diana Ross (que famosamente falhou um penalty durante a sua actuação) na cerimónia de abertura e Whitney Houston antes do jogo da final. O tema oficial "Gloryland" foi interpretado por Daryl Hall, acompanhado não pelo seu célebre comparsa John Oates mas pelo grupo gospel The Sound Of Blackness.

 




Em 1998, foi a vez da França acolher o primeiro Mundial com 32 equipas. Mundial esse que a própria França viria a vencer com uma equipa multi-étnica, encabeçada por Zinedine Zidane. Foi também um dos Mundiais mais conseguidos em termos de musicalidade: por exemplo, um dos temas oficiais era um dueto entre o senegalês Youssou N'Dour e a belga Axelle Red, "La Cour des Grands" e o célebre "Rendez-Vous" de Jean-Michel Jarre foi apresentado a uma nova geração, numa nova versão com os britânicos Apollo Four Forty. Mas dois temas destacaram-se nesse Mundial: um deles foi "Carnaval de Paris", tema instrumental dos britânicos Dario G com um inesquecível videoclip com crianças pintadas das cores das bandeiras dos países participantes a jogarem futebol. O sucesso foi tal que foi editada uma versão para o Mundial seguinte em 2002.

 





Mas como é óbvio, serão poucos aqueles que ao recordarem do Mundial de França, não se lembrem destas singelas palavras: "Goal, goal, goal. allez, allez, allez!" Ricky Martin já era uma estrela global devido ao seu hit "1,2,3 Maria" mas consolidou a sua fama com "La Copa de La Vida", prenunciando "la vida loca" que teria no ano seguinte.


 

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Stargate (1994)


Para mim, um curioso por arquelogia e egiptologia, e fã de sci-fi, este filme foi uma combinação irresistivel. Fui vê-lo em sala, e revejo sempre que dá na TV. Toda a base da saga "Stargate" está no nome, os stargates, as portas das estrelas, que permitem viajar instanteamente entre planetas distantes. Um deles foi descoberto no Egipto nos anos 20, e depois há um salto ao tempo actual - quer dizer, aos anos 90 - onde vamos conhecer o resto dos personagens. E em termos de personagens, para os espectadores nerds se identificarem: o doutor Daniel Jackson (James Spader)  o introvertido estudioso caixa-de-óculos que vai resolver o enigma que permite activar o stargate e fazer o filme avançar.


Depois dos tótós fazerem o trabalho mental, chegam os homens a sério, os G.I.Joes durões que vão explorar os novos mundos acompanhados de uma bomba nuclear, porque é a american way de lixar tudo o que tocam. Obviamente, as coisas não vão correr bem. O chefão em campo é o Jack O'Neil (Kurt Russel), o veterano que não soube guardar as armas em casa como deve de ser e perdeu o filho, causando um arrependimento tão grande que contempla o  suicidio até ser recrutado para liderar uma missão potencialmente...suicida. Tal como um Pokemon, o Kurt Russel ao ser exportado para a série de TV evolui para o MacGyver, também conhecido por Richard Dean Anderson. O resto da equipa de "exploração" são um bando de idiotas de bom coração e dedo no gatilho. 

O trailer:

O planeta é desértico, tem pirâmides, areia, camelos extraterrestres babosos, mais areia, uma cidade cheia de areia e uma gaja boa (Sha'uri, a actriz Mili Avital) que de forma hospitaleira é logo oferecida ao tótó que fala egipcio antigo. O rapaz tenta recusar a oferta, mas há que agradar aos anfitriões e lá faz o sacrificio. Entretanto, não oferecem nenhuma tipa ao Kurt Russel, mas ele aproveita o tempo livre para desenvolver amizade com um rapaz local menor de idade. Não é o que estão a pensar, o puto Skaara (Alexis Cruz, que regressaria ao papel para a série) serve para ele se identificar com a figura do filho falecido e fazer a paz com ele próprio. Ah, e os governantes do planeta são basicamente os deuses (astronautas) do Antigo Egipto, com tecnologia avançadissima (quem poderia adivinhar isso, ao atravessar um portal de tecnologia milenar desconhecida?) e uma pirâmide espacial gigante! E são maus, batem, escravizam e ocupam o corpo das pessoas e assim. E repare-se que não acharam graça ao encontrar uma bomba atómica na bagagem dos visitantes terrestres! O resto não conto, para quem for ver ainda ter algumas surpresas.

Agora mais a sério, é um dos meus filmes favoritos do género de aventura, com um delicioso toque de antiguidade e ficção cientifica. O elenco é carismático e bem competente, os efeitos especiais bons, bela fotografia e design de produção (o Stargate é uma peça extraórdinária, com uma grande riqueza de detalhes que parece mesmo maquinaria alienígena capaz de teletransporte. E o imaginativo "efeito aquatico" da activação ficou magnifico) e principalmente uma excelente banda sonora, da autoria do (ainda novato na composição para filmes) David Arnold, cujo belissimo tema principal foi reaproveitado para a continuação em série (e para toneladas de trailers de Hollywood), o "Stargate SG-1", a que só assisti enquanto deu em canal aberto. Além de alguns episódios soltos no cabo, só voltei a contactar com a franquia noutra série spin-of, o "Stargate Universe" cancelado ao fim de 2 temporadas, entre 2009 e 2011. Mas antes já tinha surgido outra série derivada, "Stargate Atlantis" que sobreviveu entre 2004 e 2009. Além dos dois telefimes "Stargate: The Ark Of Truth" (2008) e "Stargate: Continuum" (2008), a profílica franquia ainda se estreou no campo da animação com a série "Stargate Infinity" (2002-2003).

O tema principal do filme:





No dia em que comecei este texto foi aparentemente confirmado o reboot da saga e a criação de uma trilogia de filmes, pela mão de Dean Devlin e Roland Emmerich, respectivamente o produtor e realizador do original de 1994 ( e a dupla de Independence Day, Godzilla, O Patriota). A ver vamos.

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José Cheta - Cavalgada / Notícias do Tempo Breve(1973)

José Cheta, petit nom de José Cheta da Silva, o cantor alentejano cuja carreira a  Wikipédia separa em 3 fases: nos anos 60 como integrante da banda louletana "Black Gold"; as colaborações com José Cid e O Quarteto 1111; e a fase pós 1972, a que pertence este single "Cavalgada / Notícias do Tempo Breve", datado de 1973, o mesmo ano em que Cheta gravou o tema da popular radionovela "Simplesmente Maria".
Portanto, no topo do artigo, a capa fronta do  single, e abaixo o verso, com os créditos das duas músicas.

SPN 139-D - DECCA - Gravado e fabricado em Portugal por Valentim de Carvalho.
Lado A:
"Cavalgada" (Sequeira Afonso - Paulo e Clareza) Arranjos e Direcção de Orquestra de Jorge Machado.

Ouça o tema no Youtube, "Cavalgada":


Lado B:
"Notícias do Tempo Breve" (Sequeira Afonso - José Cheta) Arranjos e Direcção de Orquestra de Jorge Machado.
Ouça o tema no Youtube, "Notícias do Tempo Breve":

Além disso, uma lista com outros êxitos do mesmo artista:
PN 123 - Não Quero Perder Mais Tempo; Love Story.
SPEP 1411 - Transição; Mar Tempestade; Quero Falar de Ti; Vem Ouvir Esta Cantiga.
PEP 1397 - Amanhã, Amanhã; Meu Irmão; Esta Canção Será Vossa; Pomba Branca.

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quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Turma da Mónica

por Paulo Neto

Quem foi criança nos anos 70 e 80 decerto passou por um período em que se questionou se o português do Brasil era melhor que o português de cá, havendo mesmo quem, como eu, achasse que fazia por exemplo mais sentido dizer papai e mamãe do que papá e mamã e que palavras e expressões como ué?, puxa!, nossa! e que legal eram perfeitamente aplicáveis em Portugal. Também não era para menos: entre as telenovelas da Globo que víamos e as bandas desenhadas que líamos, a sensação de achar o nosso Português, comparado com o do Brasil, meio sem graça era quase irresistível. O meu pai se comprazia em relembrar uma certa vez em que fomos almoçar a um restaurante na Golegã, tinha eu seis anos, e quando os meus pais queriam chamar o empregado, eu antecipei-me espetando o dedo no ar e exclamando a plenos pulmões: "GARÇON!"
Como a esmagadora maioria da banda desenhada que chegava ao nosso país vinha importada do Brasil (geralmente através das míticas Editora Abril e Editora Morumbi), impressas em português do Brasil, ficávamos com a ideia de que o país irmão era a origem de todos os nossos heróis da BD. Mas brasileiros mesmo, só os heróis de que falaremos hoje mas que em nada ficavam atrás nos nossos corações àqueles que vinha da América.


Se havia um grupo de personagens e histórias que rivalizavam com os heróis do universo Disney no meu coração e no de muitos outros, era sem dúvida a Turma da Mónica. (Mesmo com tanta contaminação do português do Brasil, um ponto em que não cedíamos era no acento do O, que no original era circunflexo). As histórias foram criadas por Maurício de Souza em 1959 e ao início, tinham como protagonistas o Franjinha, o menino-cientista inspirado no próprio autor em criança, e o seu cão Bidu. Mas quando em 1970 surgiu as primeira revistas de BD, o protagonismo acabou recair sobre Mónica.



Cascão, Mónica, Bidu, Cebolinha, Magali
Inspirada na filha de Maurício de Souza com o mesmo nome, a Mónica era a rapariga que gostaríamos de ter como amiga, mas nem pensar em tê-la como inimiga, até porque ela fervia em pouca água. E se alguém se atrevesse a proferir a troika de insultos "Gorducha, baixinha, dentuça!" o mais certo era levar com o coelho Sansão na cara. Nunca percebi como é que um coelho de peluche podia causar tantos estragos, será que tinha um tijolo lá dentro, tipo a mala da velhota do "Duarte & Companhia"?
Magali, também foi inspirada noutra filha homónima do autor, era a melhor amiga da Mónica e era famosa pelo seu apetite voraz, sobretudo em doces e melancias, que devorava num ápice. Felizmente que também era abençoada com um óptimo metabolismo, pois ela nunca engordava. Quando não estava obcecada com comida, Magali tinha geralmente um papel conciliador nos conflitos entre os amigos e em refrear os ânimos de Mónica, embora por vezes a fúria desta atingia Magali como dano colateral.

Cascão e Cebolinha foram inspirados em amigos de infância do autor. Cascão é o divertido hidrófobo que fugia de água e de qualquer tipo de higiene como o Diabo da cruz, chegando ao ponto de acções sobre-humanas como voar sobre um riacho. Por ironia, Chovinista, o seu porco de estimação, era super asseado.
Mas eu tenho que admitir que o meu plefelido do qualteto plotagonista ela o Cebolinha, que ela famoso por só ter cinco cabelos e por tlocar os R pelos L e que nunca desistia de engendlar planos infalíveis pala delotar a Mónica do seu estatuto de dona da lua, muito embola acabasse semple por telminar de olho neglo e a ver estlelas. Tal ela o meu fascínio pelo Cebolinha que eu tive uma fase em que falava como ele, com lesutados cómicos como quando eu chamava pelo meu plimo Licaldo. Também lecoldo o seu cão, o Floquinho, um estlanho canídeo velde do qual não se sabia onde tinha a cabeça ou a cauda.
Franjinha e Bidu


Anjinho
Xaveco


Entre outras personagens, havia a destacar os já referidos Franjinha e Bidu (que era um cão normal quando interagia com as crianças e antropomórfico nas suas próprias histórias), Xaveco, Jeremias, Titi, Cascuda (a namorada do Cascão) e o Anjinho, o querubim louro que velava pelo grupo de amigos (e dos poucos que forçosamente nunca apanhou pancada da Mónica).

Chico Bento


Rolo
Jotalhão
Piteco
Penadinho



Astronauta
Horácio
Pelezinho


Mas o universo de Maurício de Souza também se estendia a outros núcleos, cujas histórias também tinham personagens bastante míticas. A mais célebre era o simpático caipira Chico Bento (que inexplicavelmente, embora andasse sempre descalço como Mónica, Cascão e Magali, ao contrário destes tinha dedos dos pés). Mas também destaco o Rolo, o hippie de uma farta trunfa azul que não se sabia onde começava o cabelo e acabava a barba, o Bugu, a criatura chata que surgia de rompante nas histórias do Bidu a gritar "Aló, Mamãe", o Jotalhão, um dengoso elefante verde, o Astronauta e o seu fato tipo ovo Kinder surpresa, Piteco, o homem das cavernas, o Horácio, um simpático dinossauro, o Penadinho, o fantasma mais fofucho desde o Gasparzinho e o Pelézinho, o decalque júnior do astro Pelé. Outras personagens têm aparecido desde que eu deixei de ser um leitor habitual dessas histórias, com destaque para a artística Marina (inspirada numa outra filha de Maurício de Souza) e o portuga Quinzinho. 

O merchandising do universo da Turma da Mónica já era vastíssimo nos anos 80, com filmes (incluindo a longa-metragem de 1983 "A Princesa e o Robô"), peluches, bonecos PVC, material escolar, livros de colorir e puzzles. Entretanto já houve um jogo produzido pela SEGA para Master System e Mega Drive e até um parque de diversões em São Paulo. Em 2008, foi também criado uma banda desenhada tipo manga com as personagens da Turma agora em modo adolescente.  


Não há dúvida que o sucesso das histórias da Turma da Mónica devia-se sem dúvida por serem personagens intemporais com as quais podíamos nos identificar - quer nas situações que eles enfrentavam como as brigas, as partidas, as brincadeiras, as zangas com os pais e os primeiros namoricos, quer na sua capacidade de imaginação que também nos convidava a expandir a nossa. Por isso, nós sentíamos que Mónica, Cebolinha, Cascão e Magali eram nossos amigos de verdade.   


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