segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ABBA "Gold:Greatest Hits" (1992)

por Paulo Neto

Com a estreia da sequela de "Mamma Mia" dez anos depois do primeiro filme e o anúncio surpresa de que os quatro membros do grupo se reuniram ao fim destes anos todos para gravar duas canções inéditas a serem lançadas no final deste ano, porque não recordar aqui na Enciclopédia de Cromos a música dos ABBA, que sem dúvida redefiniram a música pop nos anos 70 e inícios dos anos 80?


Em 1983, Agnetha Faltskog, Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lynstaad anunciavam que o grupo iria fazer uma pausa na actividade para se dedicarem a outros projectos. Agnetha e Frida recuperaram as carreiras a solo, Benny e Bjorn direccionaram os seus talentos de songwriting para outras paragens (como o musical "Chess") e paulatinamente ia ficando claro que a pausa temporária dos ABBA era na verdade permanente.
Entretanto o seu repertório continuava a ser ocasionalmente tocado nas rádios e começava a ser objecto de tributos como o musical "Abbacadabra", a banda de tributo Bjorn Again ou, já nos anos 90, o EP "ABBA-esque" dos Erasure. Mas em 1992, quando a Polygram adquiriu a editora dos ABBA (Polar Music) e com ela os direitos ao catálogo do grupo, editou uma compilação reunindo dezanove dos maiores sucessos do quarteto sueco intitulada "Gold: The Greatest Hits".


Editada já a pensar no mercado natalício desse ano, "Gold" tornou-se um campeão de vendas e apresentou a música dos ABBA a uma nova geração enquanto permitiu às anteriores recordarem as canções daquele tempo. Nas suas mais diversas edições e reedições, "Gold" vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo. (A edição que eu tenho é a de 1999, comemorativa dos 25 anos da vitória no Festival da Eurovisão com "Waterloo", que contém as assinaturas dos quatro membros impressas na caixa do CD.) A edição desta compilação foi também importante pois nessa altura as anteriores compilações do grupo tinham sido descontinuadas e apenas os álbuns de originais continuavam à venda, pelo que era então a oportunidade única para novos e velhos fãs terem reunidos num só disco os principais êxitos dos ABBA.
Claro está que sendo os ABBA uma banda tão prolífica, reduzir para dezanove as canções a serem incluídas em "Gold" foi tarefa complicada e implicou deixar de fora alguns hits e/ou canções favoritas dos fãs como por exemplo "Summer Night City", "When I Kissed The Teacher", "I Do, I Do, I Do, I Do, I Do" ou "Angeleyes", que seriam incluídas na compilação subsequente "More Gold". Mas sem dúvida que as 19 canções de "Gold" são sem dúvida uma boa amostra das canções mais emblemáticas dos ABBA e da sua mestria para a composição de música pop em vários registos.
Vamos então analisá-las uma a uma, pela ordem de alinhamento do disco:



1. Dancing Queen (1976, "Arrival"): Começamos em beleza com aquela que é sem dúvida uma das canções mais emblemáticas dos ABBA. "Dancing Queen" é uma daquelas canções que é uma alegria ouvir da primeira à última nota, com a harmonia das vozes de Agnetha e Frida a soar divinal por entre as camadas de arranjos instrumentais e de sintetizadores, bebendo influências ao "Wall Of Sound" de Phil Spector e aos ritmos do disco-sound americano. Os quatro membros afirmaram que se havia canção da qual tinham certeza de que seria um grande hit enquanto a gravavam era "Dancing Queen". E não se enganaram, já que o tema foi n.º1 em mais de uma dúzia de países, notavelmente sendo o seu único single n.º 1 nos Estados Unidos. Em alguns países como o Reino Unido, "Dancing Queen" foi reeditado em single para promover "Gold". E claro está, teve imensas versões de Kylie Minogue aos U2 e foi um dos singles dos A Teens no seu álbum de versões dos ABBA. A revista Rolling Stone colocou-o em n.º 174 das 500 melhores canções de sempre.
Apropriadamente, os ABBA interpretaram pela primeira vez "Dancing Queen" na gala que antecedeu o casamento do Rei Carlos Gustavo da Suécia com a futura rainha Sílvia. A primeira vez que me recordo ter ouvido "Dancing Queen" foi no especial "ABBAcadabra", na canção da Rainha Má interpretada por Lenita Gentil.     
2. Knowing Me, Knowing You (1977, "Arrival"): Eu ouvi pela primeira vez "Knowing Me, Knowing You" pela primeira vez no 7.º ano porque uma colega de turma tinha "Gold" em cassete e ela costumava fazer coreografias com as canções do ABBA com outras raparigas da turma, algumas delas para serem apresentadas durante as festas da 100.ª lição das disciplinas.
Na altura, os dois casais dos ABBA ainda estavam juntos mas já sabiam como cantar o fim de uma relação e todos os dramas inerentes. Mais uma vez, as harmonias de Agnetha e Frida são um ponto alto (completadas no refrão pelos "hã hã" de Bjorn e Benny) mas a minha parte preferida são os solos de guitarra. Foi o sexto n.º 1 consecutivo dos ABBA na Alemanha Ocidental, tendo chegado ao lugar cimeiro no Reino Unido, Irlanda, México e África do Sul. Entre os nomes que já o cantaram ao vivo ou em disco, estão Elvis Costello, Evan Dando e Right Said Fred. 


3. Take A Chance On Me (1978, "ABBA-The Album"): Famoso pelo seu início em acapella, "Take A Chance On Me" foi o principal sucesso do álbum que acompanhou "ABBA - O Filme", a longa-metragem semi-documentário, semi-ficção realizado pelo conhecido realizador Lasse Halstrom, que realizou vários dos videoclips do grupo. Fazendo jus à letra da canção que fala de uma mulher que decide mostrar ao objecto da sua afeição que ela é aquela que ele procura numa parceira, o videoclip mostrava Agnetha e Frida mais sedutoras que nunca, dançando para os respectivos parceiros sentados numa cadeira e piscando os olhos sensualmente para a câmara.
Graças à sua actuação num especial de Olivia Newton-John para a televisão americana, "Take A Chance On Me" foi o segundo maior sucesso dos ABBA nos Estados Unidos, chegando ao n.º 3 do top americano, tendo sido n.º 1 no Reino Unido, Áustria, Bélgica, Irlanda e México. Foi ainda a mais popular das quatro canções do EP "Abba-Esque" dos Erasure que foi n.º 1 do top britânico. 


4. Mamma Mia (1975, "ABBA"): Se este já era uma das canções mais emblemáticas dos ABBA, após a edição "Gold", "Mamma Mia" tornou-se ainda mais mítica, dando o nome ao famoso musical que viria a ser convertido em filme e foi o primeiro single dos A Teens (que chegaram a editar o single na Suécia sob o nome de ABBA Teens ao que rapidamente os ABBA originais objectaram) em 1999. O famoso hino às relações "nem contigo nem sem ti" não estava previsto ser editado em single mas a exibição do videoclip na Austrália gerou tanto interesse que a edição não se fez esperar e o sucesso nos Antípodas alastrou-se ao resto do mundo, tendo chegado ao n.º 1 no Reino Unido, Irlanda, Suíça e Alemanha.
Tal como "Knowing Me, Knowing You", eu ouvi pela primeira vez "Mamma Mia" durante os ensaios de uma coreografia de umas colegas da minha turma do 7.º ano.
5. Lay All Your Love On Me (1980, "Super Trouper"): Um dos temas mais dançáveis dos ABBA, com uma letra que fala sobre como ninguém está imune de ser assolado por ciúmes, "Lay All Your Love On Me" foi editado apenas como um single de 12 polegadas, o que não impediu de chegar ao n.º 7 do top britânico, onde tornou-se até então o single mais vendido neste formato. De entre as versões existentes, duas em particular firmaram o tema com um clássico do ABBA: a dos Erasure em 1992, incluída no EP "Abba-Esque" e a de Amanda Seyfried e Dominic Cooper no filme "Mamma Mia".

6. Super Trouper (1980, "Super Trouper"): Isto da fama e da fortuna não são só rosas, e foi também o lado mais solitário da fama que os ABBA evocaram na faixa-título do álbum de 1980. Embora Frida fosse a vocalista principal no tema, sem dúvida que os sentimentos da letra diziam sobretudo mais a Agnetha, que nunca escondeu que preferia o processo criativo das gravações à azáfama das digressões. "Super Trouper" foi o último dos nove n.º 1s dos ABBA no Reino Unido.
A primeira vez que ouvi o "Super Trouper" foi num clube de vídeo em finais de 1992 onde tinha ido com o meu pai, uma vez que o dono tinha posto o CD de "Gold" a tocar. Meses mais tarde, no final do meu 8.º ano, houve na minha escola um desfile de moda em que vários alunos do 9.º ano desfilaram com roupas das diferentes décadas e apesar de já ser de 1980, "Super Trouper" foi a música utilizada para o desfile dos anos 70.
Confesso também ter um fraco pela versão dos A Teens, que foi o seu segundo single.
7. I Have A Dream (1979, "Voulez-Vous"): Uma das mais amadas canções do ABBA, a balada "I Have A Dream" destaca-se também por ser o único tema a incluir vozes que não as dos quatro membros do grupo, já que o ponto alto da canção é o coro de crianças da Escola Internacional de Estocolmo que se ouve a partir do segundo refrão. (O verso "I beliiiiiiiiiiieve...in angels!" é mítico).
O tema foi n.º 1 na Bélgica, Áustria, Holanda e Suíça e n.º 2 do Reino Unido onde outra canção com um famoso coro infantil ("Another Brick In The Wall") impediu-o de ser o último n.º 1 dos anos 70 em terras britânicas. Mas em 1999, a boyband irlandesa Westlife gravou uma versão que foi n.º 1 no Natal desse ano, tornando-se o último n.º 1 dos anos 90 (e do século XX, se se ignorar que de facto o século XXI começou em 2001 e não em 2000) no Reino Unido. 


8. The Winner Takes It All (1980, "Super Trouper"): Agnetha e Bjorn separaram-se em 1979 ao fim de oito anos de casamento e por isso era irresistível querer associar a temática desta canção ao fim da união de ambos. Claro que os dois sempre negaram que "The Winner Takes It All" seria algum reflexo do que se passara entre eles e fizeram sempre por afirmar que, para bem dos filhos, o divórcio de ambos foi pacífico e civilizado, sem vencedores nem vencidos.
Mas não só a letra fala de uma mulher que por muito afirme ao ex-amado que já superou o fim do amor comum, acaba por admitir que não é bem assim, a voz de Agnetha soa profundamente emotiva e melancólica, e a mudança para um ritmo mais rápido ao longo da canção só acentua mais essas emoções. Assim como o videoclip, que mostrava Agnetha a cantar para a câmara com ar taciturno e com várias cenas em que ela aparece com ar triste enquanto os outros três estão todos risonhos. Foi aliás através do videoclip (no espaço da MTV com Catarina Furtado nos primórdios na SIC) que eu ouvi "The Winner Takes It All" pela primeira vez e desde então que é uma das minhas canções preferidas dos ABBA. Também é o meu momento preferido do filme "Mamma Mia" quando uma Meryl Streep à beira das lágrimas canta a canção a Pierce Brosnan.   
9. Money Money Money (1976, "Arrival"): É certo e sabido que o dinheiro não traz felicidade, mas que ajuda bastante, ajuda. É sobre essa arreigada premissa que os ABBA compuseram "Money Money Money", sobre uma mulher que sonha que um dia há de encontrar um homem rico ou ganhar uma fortuna no jogo e deixar para trás os seus tormentos financeiros. O tema proporcionou uma das mais poderosas interpretações de Frida, com a sua voz a imprimir todo o dramatismo que se impõe.


10. S.O.S. (1975, "ABBA"): "S.O.S." é tido como o primeiro grande hit mundial dos ABBA após "Waterloo". Os singles que se seguiram tiveram sucesso relativo em alguns países (por exemplo, gerando já algum culto na Austrália e na Nova Zelândia) mas foi com "S.O.S." que voltaram a conhecer o sucesso global, atingindo o n.º 1 no Reino Unido, Austrália, Irlanda, Alemanha, Bélgica, França e Nova Zelândia e ao top 20 dos Estados Unidos. O tema tem alguns fãs inesperados: por exemplo, Björn Ulvaeus referiu que Pete Townsend dos The Who lhe disse certa vez que era sua canção pop preferida. Agnetha Faltskog gravou também uma versão a solo em sueco e das muitas covers e recriações de "S.O.S." que existem (por nomes que vão desde Peter Cetera aos Portishead), destaco "Bring Me Edelweiss" de 1989, do grupo austríaco Edelweiss, uma mistura ultra-louca de house, hip hop e canto tirolês.   
11. Chiquitita (1979, "Voulez-Vous"): O primeiro single do álbum "Voulez-Vous", "Chiquitita" é uma das baladas mais famosas dos ABBA, em que Agnetha canta para alegrar a amiga que sofre de um desgosto amoroso. Quer na versão em inglês, quer em espanhol, "Chiquitita" tornou-se um dos seus singles mais vendidos do grupo. Foi esta canção que o quarteto cantou na gala da UNICEF para o Ano Internacional da Criança e ainda hoje, 50% dos lucros da canção são revertidos a favor da UNICEF. A primeira vez que ouvi esta canção foi na versão dos Onda Choc, "A Mais Bonita".


12. Fernando (1976, "Greatest Hits"): Inicialmente "Fernando" estava apenas pensado para ser uma faixa em sueco para o álbum a solo de Frida, mas o sucesso local encorajou-os a gravar uma versão em inglês para o primeiro álbum "Greatest Hits" da banda. Se na versão em sueco, a temática da letra é semelhante à de "Chiquitita", na versão em inglês, invoca-se as memórias de dois combatentes na Revolução Mexicana. (Na sua rubrica "As Baladas do Doutor Paixão, Nuno Markl sugeriu que estes dois antigos combatentes poderão ter tido um momento "Brokeback Mountain"). Seja como for "Fernando" vendeu mais de seis milhões de cópias só no ano de 1976. No segundo filme de "Mamma Mia", Cher canta uma versão acompanhado por Andy Garcia.     
13. Voulez-Vous (1979, "Voulez-Vous"): Um dos mais populares temas disco dos ABBA, "Voulez-Vous" é única canção do grupo que foi gravada fora da Suécia: foi composto durante uma viagem às Bahamas e gravada em Miami, o que sem dúvida se reflecte na atmosfera quente do tema. Em alguns países, "Voulez-Vous" também foi reeditado como single durante o lançamento de "Gold" e eu lembro-me de ser o vídeo mais escolhido para representar a compilação no "Top +". 


14. Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight) (1979, "Greatest Hits vol. 2"): Hoje em dia é conhecida como a canção que foi utilizada como sample em "Hung Up" de Madonna, mas "Gimme Gimme Gimme..." (muito gostavam os ABBA de títulos repetitivos!) já era uma das suas mais populares faixas dançáveis. Um dos temas inéditos do seu segundo álbum de "Greatest Hits" o tema foi mais um hit global para o grupo e o seu single mais bem-sucedido no Japão. A versão dos A Teens foi o terceiro single do seu álbum de covers dos ABBA e a actriz Amanda Seyfried gravou uma versão para promover a banda sonora de "Mamma Mia", embora não seja essa a versão incluída no filme. E serei o único a pensar em música de câmara quando ouço o famoso solo de sintetizador?

15. Does Your Mother Know (1979, "Voulez-Vous"): O mais famoso single dos ABBA em que o vocalista principal é Björn, com Frida e Agnetha a limitarem-se aos coros, "Does Your Mother Know" é capaz de ter sido uma das primeiras canções dos ABBA que eu ouvi, já que estava incluído numa compilação que os meus pais tinham em casa, que também tinha por exemplo canções de Elton John, Gemini e Sidney Magal. A letra fala sobre um homem hesitante entre ceder aos avanços de uma rapariga bem mais jovem ou de pôr um termo à situação. No filme "Mamma Mia", esses papéis são famosamente invertidos evidenciando o caso da personagem de Christine Baranski com um jovem.


16. One Of Us (1981, "The Visitors"): O derradeiro álbum de originais do grupo, "The Visitors" é o único álbum dos ABBA que me recordo de ver em minha casa. (A minha mãe disse-me certa vez que ela e o meu pai tinham outros, mas que estes foram emprestados e nunca mais devolvidos.) O único tema deste álbum a ser incluído em "Gold" é a balada "One Of Us". Nesta altura, os dois casais estavam separados, com o divórcio de Benny e Frida a ser oficializado nesse ano e é um dos temas do álbum que reflectem o tema da separação amorosa. Tal como o outro casal, também Benny e Frida asseguraram que a separação em nada afectava a amizade e a parceria musical entre ambos. No entanto, embora seja Agnetha a voz principal em "One Of Us" e a protagonista do videoclip, a imagem mais impactante deste é a de uma Frida invulgarmente tristonha, mostrando que a sua vida passava por um mau bocado. "One Of Us" foi o último single dos ABBA a chegar ao n.º1 algures (Alemanha, Bélgica, Holanda e Irlanda). Nas suas actuações ao vivo, era costume os Silence 4 iniciarem o seu hit "Borrow" com David Fonseca a cantar o refrão de "One Of Us". Recomendo também a versão orquestral do grupo alemão Dune.   
17. The Name Of The Game (1977, ABBA - The Album"): "The Name Of A Game" foi a primeira canção dos ABBA a ter autorização para ser usada como sample, a saber em "Rumble In The Jungle" dos Fugees. É uma das suas composições mais elaboradas, com Agnetha e Frida a terem cada uma parte cantada a solo além do refrão com as harmonias de ambas.
18. Thank You For The Music (1977, ABBA - The Album"): Originalmente incluída em "ABBA - The Album", "Thank You For The Music" era uma das quatro canções que compunham o mini-musical "The Girl With Golden Hair" que os ABBA interpretavam durante a digressão deste álbum. Em 1983, quando já sentia que a pausa dos ABBA era na verdade o seu cair do pano, alguns países resolveram editar o tema como single à laia da despedida e para promover uma compilação da Epic Records. E de facto, "Thank You For The Music" já cumpriu por diversas vezes a função de fecho com chave de ouro: no filme "ABBA-The Movie", era tocado nas cenas finais, era a canção final do musical "ABBAcadabra" (que em português teve o curioso título de "Não Basta Ralhar"), mas aqui em Portugal recordamos sobretudo a imagem do final de cada sessão do "Chuva de Estrelas" em que cada um dos concorrentes cantava à vez: "Vivo para a música, canções que canto, com a alegria e o encanto...

19. Waterloo (1974, "Waterloo"): E o disco termina com o princípio. Em 1973, os ABBA tentaram a sua sorte em representar a Suécia no Festival da Eurovisão com "Ring Ring" (então ainda sobre o nome de Bjorn & Benny, Agnetha & Anni-Frid). Mas foi em 1974 que então já com o nome que se lhes conhecem que foram à Eurovisão, dando à Suécia o seu primeiro triunfo no certame (que nesse ano se disputou na cidade inglesa de Brighton) com "Waterloo". Os figurinos da banda, inspirados no glam-rock, não deixaram ninguém indiferente e nem sequer faltou o chefe da orquestra Sven-Olof Waldoff vestido como Napoleão. No seu livro "Eurovisão: de ABBA a Salvador Sobral", Nuno Galopim refere um facto curioso: embora a vitória dos ABBA tivesse sido concludente, liderando desde o princípio e terminando a seis pontos da Itália que ficou em segundo lugar, não foi propriamente esmagadora, pois "Waterloo" não recebeu nenhuns pontos da Bélgica (o país onde actualmente fica Waterloo) nem do Reino Unido (o país vencedor da dita batalha). Seja como for, "Waterloo" tornar-se-ia a canção mais icónica do Festival da Eurovisão (em 2005, venceu uma eleição da melhor canção de sempre do certame) e tornou-se um êxito global, chegando mesmo ao top 10 americano. Eu não tenho a certeza se ouvi primeiro o original dos ABBA ou a versão de 1986 dos Doctor & The Medics, cujo videoclip parodiava a actuação dos ABBA na Eurovisão e que passou várias vezes no "Countdown" do Adam Curry. 

Depois da primeira edição de 1992, "Gold" teve quatro reedições: a edição remasterizada de 1999 (que é a que eu tenho), a do 10.º aniversário em 2002, a de 2008 por ocasião da estreia do primeiro filme de "Mamma Mia", a de 2010 com um DVD com os videoclips e a edição especial de 2014 que inclui os dois discos "Gold" e "More Gold", além de um terceiro disco com vinte lados B.



Em Abril deste ano, foi anunciado que os ABBA gravaram duas canções novas a serem apresentadas num especial televisivo no final deste ano. Sabe-se que os títulos são "I Still Have Faith In You" e "Don't Shut Me Down". Serão elas dignas de figurar no panteão das canções que os ABBA no deram no passado?

Anúncio a "ABBA Gold" na televisão brasileira:


Bónus: ABBA "The Last Video" (2004)


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1 comentário:

  1. Em boa verdade, o sucesso do Abba-esque EP dos Erasure (#1 no Reino Unido e em mais seis outros países europeus) é que permitiu, em grande parte, a autêntica ressurreição dos ABBA e subsequente edição desta compilação. É bom não esquecer que, até àquele momento, eles eram vistos como coisa completamente anacrónica e, sobretudo, pirosa - ou, quanto muito, um prazer culpado (um conceito que rejeito firmemente). Foi a partir daí que, de facto, a noção dos ABBA enquanto génios pop se começou a tornar comum e (quase) incontestável.

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