sábado, 19 de janeiro de 2019

A Paixão de Shakespeare (1998)

por Paulo Neto

Quando se fazem listas de injustiças nos Óscares, volta e meia é discutido o merecimento de  "A Paixão de Shakespeare" da estatueta de Melhor Filme de 1998, sobretudo quando concorria contra títulos como "Elizabeth", "A Vida É Bela", "A Barreira Invisível" e sobretudo, "O Resgate do Soldado Ryan" (e ainda para mais sabendo que por detrás de tudo isso houve uma campanha cerrada movida por um tal de Harvey Weinstein). Seja como for, "A Paixão de Shakespeare" é um dos meus filmes preferidos de sempre. Foi o primeiro filme que decidi rever no cinema por exclusiva vontade própria, se bem que em salas de cinema (e cidades) diferentes. E também me fez comprar um exemplar de "Romeu e Julieta", mais concretamente uma edição de bolso que continha o original em inglês e a tradução em português. 



Realizado por John Madden, "A Paixão de Shakespeare" tinha um elenco luxuosíssimo com Gwyneth Paltrow, Joseph Fiennes, Geoffrey Rush, Ben Affleck, Judi Dench, Colin Firth, Imelda Stauton e Rupert Everett. Como o próprio nome indica, o filme prestava homenagem a William Shakespeare, não tanto através de factos históricos, mas tornando-o personagem de uma história que mesclava várias das suas peças.




Em 1593, William Shakespeare (Fiennes) é actor no Rose Theatre, propriedade de Philip Henslowe (Rush) e um dramaturgo em crise de inspiração, que há demasiado tempo que não consegue progredir na escrita de sua nova peça, "Romeu e Ethel, a Filha do Pirata". O facto de não conseguir vender a sua peça ao teatro rival Curtain Theatre e de descobrir que Rosaline (Sandra Leinton), a mulher que ele anda a catraspiscar, é amante de Edmund Tilney (Simon Callow), o Master Of Revels (um cargo que é uma espécie de mistura de Ministro da Cultura com chefe da Censura) só complica mais as coisas, acrescendo ainda o facto de Henslowe estar a ser brutalmente pressionado pelo seu credor Frennyman (Tom Wilkinson) para saldar as dívidas. E depois há ainda o autor rival Christopher Marlowe (Everett) que vive o sucesso com a suas obras, para inveja de Shakespeare. 

Entretanto, Lady Viola de Lessops (Paltrow) é uma bela dama, filha de um mercador rico, que adora assistir a peças de teatro. Viola sonha em ser actriz e ter uma vida bem diferente daquela que lhe está traçada mas não só as mulheres estavam proibidas de actuar em teatros como está prometida em casamento a Lord Wessex (Firth), um pérfido aristocrata. Mesmo assim, Viola decide prestar audições para a nova peça de Shakespeare disfarçada de um rapaz de nome Thomas Kent e impressiona o dramaturgo com o seu talento.  
Eventualmente William descobre a identidade dela e os dois iniciam um apaixonado romance secreto, com a cumplicidade da ama de Viola (Stauton) e os acontecimentos desencadeados inspiram o dramaturgo a escrever "Romeu e Julieta", onde entrarão o famoso actor Ned Alleyn (Affleck) e o próprio Fennyman que entretanto se deixou fascinar pelo mundo do teatro dos seus devedores.


Por entre várias peripécias, algumas divertidas, outras dramáticas, tudo culminará na representação da peça onde Will e Viola a desempenhar o par protagonista e uma intervenção inesperada da Rainha Isabel I (Dench) a seu favor. Mesmo com o amor de ambos condenado pela força do destino, Shakespeare imortalizará a sua amada, dando o seu nome à protagonista da sua peça seguinte, "Noite de Reis". 







Pode nunca livrar-se do carimbo de sobrevalorizado, mas para mim, "Shakespeare In Love" é um filme bem conseguido em toda a linha, alcançando um equilíbrio perfeito entre comédia e tragédia e até deitando uns pozinhos de erotismo (a imagem de Viola a ser desenrolada das suas faixas é icónica!). Todo o elenco dá uma boa prestação e se tal como o Óscar de Melhor Filme, existe margem para se discutir se Gwyneth Paltrow merecia a estatueta de Melhor Actriz (onde uma das outras nomeadas foi a brasileira Fernanda Montenegro), não há dúvida que raramente a vimos com tanto carisma e luminosidade. Com este papel e o de "Elizabeth", estreado no mesmo ano e outro rival dos Óscares, foi o único período em que Joseph Fiennes conseguiu ofuscar a notoriedade do seu irmão Ralph (e acho que também merecia ter sido nomeado para Melhor Actor). 
Além de Paltrow, Judi Dench ganhou o Óscar de Melhor Actriz Secundária, embora só apareça em três cenas e o filme foi ainda distinguido com as estatuetas de Melhor Argumento Original, Melhor Direcção Artística, Melhor Banda Sonora Comédia ou Musical e Melhor Guarda-Roupa. 


Em 2014, o filme foi adaptado para uma peça de teatro. 

Trailer:



 
 

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