quinta-feira, 24 de maio de 2018

Arca de Noé (1990-1995)

por Paulo Neto

Para começar, vamos à música:



Vamos fazer amigos entre os animais
Que amigos destes não são demais
Na vida
E vêm aqui mostrar
Que têm uma família como eu e tu
Só que esta mora numa outra casa
Que se chama (DIGAM!)
Arca de Noé
Vamos lá ver como é
Na Arca de Noé
Há animais que falam como nós
Como eu e tu
Há animais que falam como nós
Como eu e tu



Sim, vamos hoje falar sobre o concurso "Arca de Noé", exibido em cinco temporadas na RTP entre 1990 e 1995. As três primeiras temporadas foram apresentadas por Fialho Gouveia e exibidas na RTP 2, a quarta temporada já na RTP1 foi apresentada por Ana do Carmo e a quinta por Carlos Alberto Moniz.

Este concurso sobre o mundo dos animais fora inicialmente concebido no Japão nos anos 70 e exportado com sucesso para vários países. Era composto por diversas rondas de perguntas e respostas onde os concorrentes teriam de adivinhar o comportamento de um determinado animal diante de uma determinada situação, através de imagens filmadas pela televisão japonesa, mediante quatro hipóteses de resposta. (Por exemplo, foi assim que eu fiquei a saber que quando uma fêmea koala quer rejeitar os avanços de um macho, ela urina sobre ele). Também existiam algumas perguntas sobre as características de uma determinada espécie. (Por exemplo, sabiam que as girafas têm tantas vértebras no pescoço como o ser humano? Têm sete como nós!)



Segundo o site "Brinca Brincando" (a quem mais uma vez presto agradecimento pelas imagens neste texto) no modelo original japonês e na maioria dos países em que o programa foi adaptado, os concorrentes eram figuras públicas. Contudo em Portugal, nas temporadas de Fialho Gouveia, cada sessão tinha três concorrentes anónimos e uma figura pública que, caso vencesse, doaria o prémio monetário em jogo (que estou em crer que eram 250 contos, 1250 euros) a uma instituição de apoio aos animais. Os concorrentes anónimos também cediam habitualmente uma percentagem do valor ganho a uma instituição, geralmente o Jardim Zoológico de Lisboa ou a União Zoófila.



Durante a temporada apresentada por Ana do Carmo, o concurso passou a ser disputado por três equipas compostas por um adulto e uma criança. Na quinta e última temporada, num cenário a fazer lembrar um barco e até a própria Arca de Noé, os concorrentes eram crianças entre os 8 e 12 anos.


Outra figura marcante do concurso era a assistente Maria Arlene, que mais tarde veio-se a saber ser a primeira esposa de José Castelo Branco e a mãe do seu filho Guilherme. Arlene participou no programa nas suas quatro primeiras temporadas e era frequente ouvir-se assobios na assistência sempre que ela surgia em palco com mascotes do programa que assinalavam a pontuação dos concorrentes. Estas mascotes correspondiam aos patrocinadores principais do programa: primeiro o Vitinho da Milupa, mais tarde os Orelhudos da Mimosa.


Outra rubrica regular do programa era a presença de um determinado animal no estúdio, acompanhado em palco por alguém responsável por ele que era entrevistado pelos apresentadores. 

Outro ponto alto do programa eram as canções, cada semana sobre um determinado animal, com música de Carlos Alberto Moniz e letra de José Jorge Letria, interpretadas por Moniz ou então por um convidado especial. Recordo-me por exemplo de Fernando Correia Marques a cantar sobre o choco, Fernando Mendes sobre o arganaz e Wanda Stuart (então apenas Wanda) sobre a borboleta. 
Várias dessas canções foram gravadas por Carlos Alberto Moniz em dois discos e pelo menos uma delas ficou na memória colectiva: "O sonho do elefante é ser elegante, é ser elegante..."




O "Brinca Brincando" refere ainda que um dos critérios de pré-selecção dos concorrentes era escrita correcta do português, sendo que aqueles que dessem erros ortográficos seriam eliminados, já que as respostas do programa eram dadas por escrito em cartolinas. O que não impediu um episódio que Nuno Markl relembrou quando dedicou um cromo ao programa na "Caderneta de Cromos". Consta que, confrontado com a pergunta sobre o que iria fazer um gorila com uma garrafa de cerveja, o futebolista Jorge Cadete, que era o convidado daquela sessão, terá escrito... "Vai beber a mine".

"Arca de Noé" era sem dúvida um programa extremamente divertido e didáctico e acho que ainda podia ser recuperado para a televisão.

Promo com Ana do Carmo...e uma águia calçada:


 Sessões do programa: 





  



Cromo da "Caderneta de Cromos" da Rádio Comercial sobre "O Arca de Noé" (22.9.2011)

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