sábado, 12 de setembro de 2015

Eric "A Enguia" Moussambani (2000)

por Paulo Neto

Ao longo da sua história, os Jogos Olímpicos sempre foram o palco preferencial para consagrar os maiores atletas do Mundo. No entanto, para a esmagadora maioria dos atletas o simples facto de competirem nuns Jogos Olímpicos já é uma grande conquista. Mas com as atenções dos media focadas no evento ao longo desses dezasseis dias, de vez em quando surgem casos de atletas que se fizeram notar e celebrizar não pelos seus grandes feitos, mas pelo inverso.

Entre os exemplos mais célebres, temos a equipa jamaicana de bobsled que competiu nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1988 e inspirou o filme "Jamaica Abaixo De Zero", o saltador de esqui britânico Eddie Edwards cujo insucesso nos mesmos Jogos valeu-lhe a irónica alcunha de "Eddie The Eagle" e a suíça Gabriela Andersen-Schiess cuja imagem a completar a última volta no extremo limite da exaustão marcou a primeira maratona olímpica feminina em Los Angeles 1984.





Em 2000, a cidade australiana de Sydney esmerou-se para organizar uns Jogos Olímpicos exemplares onde participaram mais de 10 mil atletas de 199 países. Quatro atletas de Timor-Leste participaram sobre a bandeira olímpica. O triatlo, o taekwondo e os trampolins estrearam-se como modalidades olímpicas e pela primeira vez houve provas femininas de halterofilismo, pentatlo moderno, salto à vara e lançamento do martelo. Portugal conquistou duas medalhas de bronze: Nuno Delgado no judo e Fernanda Ribeiro nos 10000m. E quis o destino que tivesse sido na natação, um dos desportos mais populares da Austrália, que surgiu um dos mais célebres cromos olímpicos, na pessoa de Eric Moussambani.

Em prol da universalidade e da possibilidade de todos os países do mundo poderem competir nos Jogos Olímpicos, existe a iniciativa de atribuir wildcards a certos países em modalidades onde essas nações não têm grande expressão. A Guiné Equatorial foi um dos países que recebeu um wildcard para que dois atletas seus, um homem e uma mulher, competissem em Sydney nas provas de natação. Uma prova de selecção foi organizada numa piscina de hotel de 12 metros em Malabo, a maior piscina no país na altura mas os únicos que apareceram foram Paula Barila Balopa, que também era futebolista, e Eric Moussambani, um estudante de engenharia de 22 anos e estes foram portanto os escolhidos para as duas vagas.


Sem treinador nem grandes condições, Moussambani foi treinando como pode: como só podia pagar uma hora por semana para nadar na tal piscina do hotel, também foi treinado a nadar num lago e no mar. Foi já em Sydney que viu pela primeira vez uma piscina olímpica de 50m e foi lá que a equipa da África do Sul lhe emprestou uns calções apropriados, já que até então ele nadara sempre com calções de praia. Tal como a sua compatriota, era suposto Moussambani competir nos 50m livres, mas acabou inscrito nos 100m livres.


No dia 19 de Setembro, o guineense-equatorial apresentou-se para a nadar a primeira de dez eliminatórias dos 100m livres acompanhado por mais dois nadadores, Karim Bare do Níger e Farkhod Oripov do Tajiquistão. No entanto, estes dois seriam desclassificados por falsa partida, o que fez com que Moussambani tivesse de nadar a sua prova sozinho na piscina.
Nas piscinas de aquecimento, ele observara os atletas americanos para lhes imitar a técnica e recebeu algum auxílio do treinador da África do Sul, no entanto viria a descobrir que da teoria à prática havia uma longa distância. Chegou aos 50 metros em pouco mais de 40 segundos mas após a viragem, o cansaço atingiu-o e a certo ponto, até pareceu que iria parar no meio da piscina. Porém, sob forte ovação do público, Eric Moussambani terminaria a prova em 1 minuto, 52 segundos e 72 centésimos, de longe o tempo mais lento de todos (o holandês Pieter van den Hoogenband venceu a prova em 48:30). Aliás o seu tempo era mais lento que o recorde mundial dos 200m livres. 


Porém a aventura de Moussambani tornou-o uma celebridade, com um jornal inglês a atribuir-lhe a alcunha "Eric The Eel" (Eric, a Enguia). E desde então, vários atletas que se notabilizaram pelas suas prestações invulgarmente lentas têm sido comparados a Moussambani. Embora a sua participação tenha sido um paradigma da máxima olímpica do que o importante é participar, também gerou debates sobre a validade de atribuir wildcards a atletas obviamente sem a preparação suficiente para competirem em provas daquele nível.

O tempo encarregaria de provar que Moussambani não era um atleta folclórico e que o seu desempenho em Sydney devia-se sobretudo à sua falta de experiência e de preparação adequada, já que nos anos seguintes viria a nadar em tempos minimamente aceitáveis. Nos campeonatos mundiais de 2001, foi penúltimo nos 50m livres, porém seis segundos mais rápido que o último e só não competiu nos Jogos Olímpicos de 2004, quando já nadava 100m abaixo de 57 segundos, por problemas no seu visto de viagem para a Grécia.




Actualmente, Eric Moussambani trabalha na exploração petrolífera, com a qual a Guiné Equatorial tem-se destacado no mapa económico mundial e é o actual seleccionador nacional de natação. Hoje em dia, a Guiné Equatorial tem uma piscina olímpica e Moussambani treina uma média de trinta atletas. 

Eric Moussambani em 2014 conta a sua experiência olímpica:           


 


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Top 5 Canções de Madonna dos anos 80 (Paulo Neto)

Inexplicavelmente, a Enciclopédia de Cromos nunca dedicou um artigo a Madonna. Por isso já se impunha que aqui se abordasse a carreira da rainha da pop, até porque além de ser todo um ícone dos anos cromos, foi uma das primeiras cantoras de que me tornei fã ainda com tenra idade.


A carreira de Madonna Louise Veronica Ciccone já se estende há mais de quatro décadas, e apesar de alguns tiros ao lado, poucos artistas podem reclamar um percurso tão duradouro e consistente. Mesmo não tendo uma grande voz (e ela será a primeira a admitir isso), Madonna venceu sobretudo pela perspicácia com que se fazia de rodear das pessoas mais indicadas para manter o seu repertório na vanguarda da música pop e a sua capacidade de reinventar a sua imagem e causar controvérsia - e usar isso a seu favor - ao longo dos anos. Ainda que hoje por hoje, esteja numa fase de carreira onde o seu novo material editado já não causa (nem precisa de causar) o impacto de outrora, Madonna continua bem activa na sua carreira musical e de celebridade, a dar que falar e a fazer o que lhe dá na gana.



Apesar da impressionante longevidade da sua carreira, não há como considerar os anos 80 como o seu período mais marcante. Ao ponto de ser quase impossível pensar nessa década sem pensarmos em Madonna, no seu repertório de então e nos seus looks de roupas de renda e crucifixos. Por isso mesmo, neste texto vou falar das minhas cinco canções preferidas de Madonna nos anos 80.
Mesmo restringido a este período, e à semelhança de outros top 5, existem várias canções que tive de deixar de fora e por isso mesmo terão de ficar remetidas na secção das menções honrosas: "Lucky Star", "Material Girl" (que viria a tornar-se a sua alcunha), "Into The Groove", "Papa Don't Preach", "Who's That Girl", "La Isla Bonita" e "Dear Jessie"


#5 "Holiday" (1983): Na altura pode não ter tido tanta notoriedade de temas como "Lucky Star" ou "Borderline", mas com o tempo "Holiday" tornou-se o tema mais celebrado do primeiro álbum de Madonna, originalmente intitulado "Madonna - The First Album". Ainda hoje, mantendo-se como uma daquelas canções que sabem bem ouvir no Verão, de preferência na partida para férias, "Holiday" é de tal forma uma fan favourite que foi o tema escolhido para encerrar em beleza os concertos em diversas digressões de Madonna, incluindo a "Blonde Ambition Tour", famosamente documentada no filme "Na Cama Com Madonna".






#4 "Like A Virgin" (1984): Num repertório tão vasto como é o de Madonna, será sempre injusto apontar uma canção como a mais significativa, mas a haver uma canção-assinatura de Madonna será provavelmente "Like A Virgin". Faixa-título do seu segundo álbum, o tema causou burburinho logo a partir do título (por causa da simples menção da palavra "virgin") e que se estendeu ao videoclip filmado em Veneza onde Madonna ora saracoteava numa gôndola como se via num jogo de perseguição com um homem com máscara de leão e um leão a sério. Mas o ponto alto foi a sua actuação nos primeiros MTV Video Music Awards em 1984, com Madonna a começar vestida de noiva no alto de um bolo gigante e a terminar a rebolar pelo chão e mostrar mais do que seria possível diante de uma assistência completamente atónita. Esse momento é tido como aquele em que Madonna passou de estrela em ascensão à supernova  que se conhece.







#3 "Live To Tell" (1987): Incluído tanto no álbum "True Blue" de 1986 como na banda sonora do filme "Homens À Queima Roupa" no qual entrou o seu então marido Sean Penn, "Live To Tell" é considerado um dos temas mais bem conseguidos de Madonna, sobretudo a nível da letra. A minha parte preferida é o momento em que parece que a canção vai para acabar para ressurgir em força com a voz de Madonna a cantar "If I ran away, I'd never have the strength to go very far".





#2 "Crazy For You" (1985): Embora mais conhecida pelos seus temas mais mexidos, Madonna nunca foi moça para desdenhar uma balada romântica. Por entre a facção mais baladeira do seu repertório, o melhor exemplo para mim continua a ser "Crazy For You", da banda sonora do filme "Vision Quest - Vontade de Viver" com Matthew Modine e Linda Fiorentino, onde Madonna tinha uma pequena aparição a cantar num bar. (Além deste, Madonna cantou outro tema do filme, o excelente e frenético "Gambler"). Como se não bastasse toda a sonoridade romântica, a letra era toda uma síntese daquilo que é dançar agarradinho com a pessoa por quem sentimos um fraquinho, na esperança que seja um prenúncio de uma curte. ("Slowly now we begin to move/ with every breath I'm into you./ We're so close but still a world away"). Por isso não foi de estranhar que "Crazy For You" tenha sido um tema obrigatório em várias festas de garagens nos anos 80.






#1 "Like A Prayer" (1989): No entanto, a meu ver, a obra-prima de Madonna é "Like A Prayer", o épico tema que deu nome ao seu álbum de 1989. Do início solene com "Life is a mistery/ Everyone must stand alone/ I hear you call my name/ and if feels like...home" ao final apoteótico com o coro gospel, "Like A Prayer" permanece para mim como uma das canções mais perfeitas de sempre. E depois claro, há o célebre videoclip, todo um cocktail explosivo de religião, crime e relações interraciais que foi banido em certos países como Itália e levou a Pepsi a abandonar o milionário contrato que tinha feito com Madonna. (Para mim, a parte que me fazia mais impressão era a cena da stigmata que surgia nas mãos dela).  Ironicamente, "Like A Prayer" venceu o prémio da escolha telespectadores nos MTV Video Music Awards, um prémio patrocinado pela Pepsi.


ALF - Colecção de Calendários e Autocolantes


Além da obrigatória colecção de cromos ( da Panini), nos anos 80, qualquer filme ou série que se prezasse tinha que existir também na forma de calendários de bolso coleccionáveis. Tal foi o caso desta colecção de "ALF - Uma Coisa do Outro Mundo", a sitcom de sucesso global sobre o peludo extraterrestre ALF que - numa premissa semelhante ao E.T. - naufraga na Terra e encontra abrigo no seio de uma família norte-americana.

Alguns dos exemplares da minha colecção pessoal, clique para ver em tamanho maior:


O elemento invulgar desta colecção de imagens da série e outras ilustrações relacionadas, é o facto de 18 dos calendários serem também autocolantes destacáveis. 


Esta edição da Impala foi adaptada da série 1 do "ALF Topps trading cards" de 1987, que nos pacotes da Topps foi vendida com 1 pastilha elástica. Mas, ao contrário da edição portuguesa, não possuía o calendário no verso dos cards, mas curtos e divertidos factos sobre ALF e o seu planeta:

Tenho que agradecer ao leitor Peter Gunn que ainda preservou e partilhou connosco uma das carteirinhas onde eram vendidos, e cujas fotos reproduzo de seguida.

A frente da carteirinha:


No verso da carteirinha - além de ALF a assustar uma abóbora de Halloween - a seguinte descrição:
"As maiores aventuras do ALF numa sensacional colecção de 69 CALENDÁRIOS e 18 STICKERS.

Colecciona as histórias e equipas de basebol preferidas do velho ALF e ainda as suas frases mais divertidas em autocolantes. ALF é mesmo uma colecção do outro mundo."

A maioria dos calendários consistiam em cenas retiradas dos episódios, com algumas legendas ou balões de fala, ao estilo da banda desenhada.



Ao estilo dos clássicos cards coleccionáveis de basebol norte-americano, uma série de ilustrações dedicados aos maiores jogadores de Bouillabaseball de Melmac, o planeta natal de ALF.

Os "stickers"/autocolantes:

Caro leitor, pode falar connosco nos comentários do artigo, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite-nos também no "Tumblr - Enciclopédia de Cromos".

sábado, 5 de setembro de 2015

Casino Royal (1990)

por Paulo Neto

"Casino Royal" marcou o regresso de Herman José da RTP depois da enorme polémica com seu programa anterior "Humor de Perdição". Desta vez, para não haver problemas, o programa só foi transmitido depois de ter sido todo gravado em finais de 1989, estreando a 22 de Janeiro de 1990.




A acção de "Casino Royal" decorre em Lisboa, em plena Segunda Guerra Mundial. Artur Royal (Herman José) dirige o seu requisitado casino, que se torna palco de várias manobras de espionagem. Royal tenta não envolver-se nessas intrigas, até porque já tem problemas que chegue na vida pessoal: o seu casamento com Celeste (Ana Bola), mulher inquieta viciada em cafezinhos cooooooooom leite e em empregar o vocábulo "a bem-dizer" em cada frase, já viu melhores dias e a filha de ambos, Ivete Carina (Rita Blanco) é uma jovem rebelde e insubordinada. Mas quando descobre que o seu aparentemente ingénuo porteiro Alverca (Nuno Melo) é na verdade um colaborador do III Reich, Royal, incentivado pelo espião inglês Phillip (Filipe Ferrer), aceita colaborar com os Aliados e disfarça-se da espanhola Maricarmen (dona de uns guinchos de fazer inveja à Maximiana) para sacar informações a Alverca.


Arthur Royal (Herman José) e Phillip (Filipe Ferrer)

Celeste (Ana Bola) e Zizi (Lídia Franco)



Maribel (Maria Vieira)

Alverca (Nuno Melo)

Maricarmen (Herman José)


Natacha (São José Lapa) e Cachucho (José Pedro Gomes)



Trafaria (Vítor de Sousa)


Brembilla (Margarida Carpinteiro)
Crispim (Herman José )

Ivete Carina (Rita Blanco)

Além de Phillip, os outros espiões residentes do casino são a italiana Brembilla Testarossa (Margarida Carpinteiro), uma hábil manobradora de bestas, a francesa Zizi Lautrec (Lídia Franco), mulher fria e calculista porém apaixonada por Royal, e a russa Natacha Seminova (São José Lapa), que se apaixona por Cachucho (José Pedro Gomes), um amigo do casal Royal que vive nos esgotos do casino, de cujo amor nascerão dois jaquinzinhos. 
Royal tem também um irmão gémeo, Crispim, porteiro das traseiras do casino, constantemente embriagado e cheio de filosofia barata, mas com quem todos simpatizam. Entre as suas manias, Ivete diverte-se a assediar Antímio Trafaria (Vítor de Sousa), o dedicado encarregado da roleta do casino que volta e meia lá vai exclamando aos apostadores "Renevapliu!" e "Fertêvogê!". Trafaria fica muito incomodado com os assédios da rapariga, até porque tem um casamento feliz com Maribel (Maria Vieira), a vendedora de cigarros do casino.
Além de Royal, Crispim e Maricarmen, Herman José desdobrou-se em mais duas personagens: Gradivia Prépacova, czarista russa exilada no Seixal, que é a mãe biológica de Natacha e Ivete, que afinal foi adoptada pelos Royal quando Celeste a encontrou numa cestinha de vime na Serra da Gardunha e o Führer Adolph Hitler himself, que terá um curto mas tórrido romance com Celeste. 

Entre os diversos plot twists ao longo dos treze episódios descobre-se que Ivete e Phillip tiveram um caso do qual nasceu um filho chamado Ricardo e que Maribel afinal é uma extraterrestre. Mas no final, tudo acaba bem com todas as personagens emparelhadas e casadas menos Maribel que está de regresso ao seu planeta.

Como era habitual nos programas de Herman José, "Casino Royal" teve uma boa dose de humor transgressor e nonsense, com os actores frequentemente a desmancharem as personagens e mandarem bocas sobre o programa e os cenários e lançou bordões como "A língua portuguesa é muito traiçoeira!", "- Não vás mais longe. - Eu não, fico já aqui!" ou "- Por quem és. - Pelo (clube de futebol aleatório)". E apesar da acção da série passar nos anos 40, houve inúmeras referências jocosas à situação do então tempo presente. 

Lara Li esteve entre os convidados musicais do programa

"Casino Royal" teve também várias actuações musicais quer da parte de Herman José (à vez na pele de Artur Royal, Crispim ou Maricarmen) quer do cantor convidado de cada episódio. Convidados esses que foram Simone de Oliveira, Cândida Branca-Flor, Marina Mota, Joel Branco, Alexandra, Helena Vieira,  Carlos Guilherme, Maria Viana, Lena D'Água, Maria de Lurdes Resende, João Braga, Rui Veloso e Lara Li. Desses momentos musicais, recordo o de Rui Veloso a cantar "A Costureirinha da Sé" com todos os figurantes deitados no chão, supostamente mortos por comerem batatas fritas envenenadas, que a dada altura ressuscitam para trautear o tema e impedir que Rui Veloso cante o "Porto Sentido".


Antes da estreia, no programa especial da RTP para a passagem de ano 1989/1990 (onde entre vários blocos foi exibido pela primeira vez na televisão portuguesa o filme "Os Caça-Fantasmas"), houve uma breve apresentação do programa e do elenco (excepto Rita Blanco que não esteve presente) onde se reuniram para cantar o tema principal.


Programação da RTP no dia da estreia do programa (Diário de Lisboa)


Genérico:



2.º episódio:



   

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Colecção de copos Disney (1982)

 Nesta promoção de 1982, bastava juntar as tampas das garrafas de litro de Sprite ou Coca-Cola. Com quatro tampas dessas bebidas era possível conseguir um copo grátis. A colecção completa era composta de 6 copos diferentes (portanto, 24 litros de bebidas gaseificadas) decorados com "o desenho do teu herói Walt Disney preferido", que podem ver na imagem seguinte, em maior detalhe:




Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 26, de 1982. 

Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

Caro leitor, pode falar connosco nos comentários do artigo, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite-nos também no "Tumblr - Enciclopédia de Cromos".

terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Um Dia De Domingo" Gal Costa & Tim Maia (1985)

por Paulo Neto

Já falei aqui como o "Dou-te Um Doce" da Lena D'Água foi uma das canções do Verão de 1986. Mas nesse mesmo Verão ouve um ainda maior êxito musical vindo do outro lado do Atlântico, uma daquelas canções que nos anos 80 se eternizavam no 1.º lugar do top nacional. Tratou-se "Um Dia De Domingo", um dueto absolutamente avassalador interpretado pela baiana Maria da Graça Costa Penna Burgos e pelo carioca Sebastião Rodrigues Maia, mais conhecidos como Gal Costa e Tim Maia.





A épica balada de seis minutos, da autoria de Michael Sullivan e Paulo Massadas, até tinha uma estrutura simples: primeiro Gal Costa chilreava a sua parte. E depois Tim Maia atacava com a sua voz portentosa a sua parte, repetindo a letra, e após uma parte instrumental e de ad libs, os dois uniam as vozes para repetirem de forma apoteótica o refrão. O sucesso foi particularmente esmagador em Portugal com as rádios nacionais a tocarem incessantemente o tema, ao ponto que na altura muitos tugas tinham a letra toda na ponta da língua.

Eu preciso te falar
Te encontrar de qualquer jeito
P'ra sentar e conversar
E depois andar de encontro ao vento

Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo Sol que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez te ver sorrindo
E voltar num sonho lindo

Já não dá mais p'ra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o Sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de Domingo

Faz de conta que ainda é cedo
Tudo vai ficar por conta da emoção
Faz de conta que ainda é cedo
E deixar falar a voz do coração

"Um Dia De Domingo" cimentou Gal Costa como uma das cantoras brasileiras mais apreciadas no nosso país e apresentou Tim Maia que, apesar da sua vasta obra e o legado de ser considerado como o pioneiro da música soul no Brasil, era ainda relativamente desconhecido por cá. Pelo menos eu nunca tinha ouvido falar dele antes, e apesar de na altura ter apenas seis anos, já conseguia identificar nomes da MPB como Roberto Carlos, Maria Bethânia, Caetano Veloso ou Ney Matogrosso.



Como a canção não tinha videoclip oficial, em substituição o que passava por cá no Top Disco era uma actuação de Gal Costa e Tim Maya no programa do Chacrinha, o extravagante apresentador no qual Ediberto Lima havia de se inspirar para criar o Big Show SIC. Essa actuação ajudou a contribuir ainda mais para o misticismo cromo do tema: como se não bastasse ver uma Gal Costa, que não estava nada mal para uma recém-quarentona, e um enorme e suado Tim Maia a cantarem bem agarradinhos sob os gritos histéricos de uma assistência, na parte instrumental, Chacrinha desata a gritar "É demais! Todo o mundo aí! É demais, demais!". Esse espasmo vocal do apresentador era tão marcante, que aposto que não serei o único que, ao ouvir a canção na rádio, estaria à espera de ouvir o  "É demais!" do Chacrinha. 



"Um Dia De Domingo" contribuiu para que o respectivo álbum "Bem Bom", editado em 1985, fosse o mais vendido de sempre de Gal Costa em Portugal. Na nossa casa, havia um exemplar do disco que tinha a particularidade de, ao desdobrar a capa, ter uma foto quase de corpo inteiro de Gal Costa. O álbum continha faixas escritas por nomes tão consagrados como Erasmo Carlos, Roberto Carlos, Djavan, Cazuza, Chico Buarque e Milton Nascimento. O outro hit do álbum foi também um dueto, "Sorte", com desta vez Gal Costa a cantar com o seu velho comparsa Caetano Veloso.




Actualmente com setenta anos, Gal Costa continua bem activa e imparável, tendo continuado a dar vários concertos em Portugal. Infelizmente Tim Maia faleceu a 15 de Março de 1998, com 55 anos, num culminar de vários problemas relacionados com a obesidade, álcool e drogas. Mas a sua obra continua a ser muito celebrada no Brasil: além das várias homenagens póstumas, a sua campa é local de romaria e em Junho deste ano, foi inaugurada uma estátua sua no bairro da Tijuca.



"Um Dia De Domingo" fez recentemente parte da banda sonora da telenovela "Alto Astral", actualmente em exibição na SIC.



 

sábado, 29 de agosto de 2015

Ora Agora Conto Eu (1986-87)

por Paulo Neto

"Sim, eu sei que tudo são recordações. Sim, eu sei é triste viver de ilusões." Agora que cheguei a uma certa idade, dou comigo muitas vezes a soltar o Vítor Espadinha que há em mim e a verificar entre nostálgico e atónito o quanto o país e o mundo mudaram entretanto. Por exemplo, consigo lembrar-me ainda de forma extremamente nítida o tempo em que só havia a RTP e parece-me incrível como a televisão no nosso país se transformou tão profundamente desde então, nomeadamente no que diz respeito à programação infantil. Hoje em dia a oferta desse tipo de programas não podia ser mais vasta, pois não só os canais generalistas vão mantendo os blocos dedicados à animação, sobretudo nas manhãs de fim de semana, como existem diversos canais temáticos por cabo dedicados a esses programas, sem falar dos conteúdos disponíveis em DVD e na internet. Pelo que se torna espantoso olhar para trás e pensar que eu fui criança num tempo em que havia muito menos alternativas nesse campo.
No entanto, a programação infantil era algo que a RTP não descurava nos meus tempos de infância e o que não havia então de quantidade, recursos e sofisticação, compensava em criatividade e dedicação. Além disso, o público infantil era bem menos exigente. Por exemplo, um programa como "Cláudio e Carolina" seria certamente recebido pelos petizes de hoje com um enorme bocejo mas era mais que suficiente para encher o olho aos petizes dos idos de 1984.



Entre os diversos conteúdos infantis produzidos pela ou para a RTP nos anos 80, um bastante recorrente era de programas que contavam histórias. Por exemplo, aquele das histórias que se contavam antes do Vitinho ou "Era Uma Vez", um programa onde histórias infantis eram dramatizadas pelos jovens alunos da actriz Lurdes Norberto e com a participação de vários nomes da música portuguesa, nomeadamente de Carlos Alberto Moniz no tema do genérico. Mas o programa que aqui vai ser recordado é "Ora Agora Conto Eu", exibido no famoso espaço "Juventude e Família" da RTP aos fins de semana entre 1986 e 1987, sendo reposto nos anos seguintes até 1990. 



O programa foi concebido por Natércia Rocha que fez uma selecção de dezoito contos, cada um deles contado em cada episódio por um actor diferente. No final de cada conto, havia um epílogo musical com Tó Sequeira (que é feito deste senhor que cantava várias cantilenas infantis à viola,  como o inesquecível "Fui De Visita À Minha Tia A Marrocos", a versão portuguesa da lendária cantilena country "She'll Be Singing Round The Mountain"?) a cantar uma canção com música da sua autoria e letra de José Fanha sobre o conto previamente narrado.




Outra particularidade do programa é que cada conto tinha uma forma diferente de ser contado: desde a dramatizações do conto quer por outros actores quer pelas crianças presentes no programa, à utilização de fantoches, desenhos, painéis iluminados, maquetas e até desenhos em tempo real. (Aliás, lembro-me que chegou a existir mais tarde um programa de contar histórias que era feito deste modo, com uma voz-off a contar uma história enquanto os desenhos eram entretanto feitos no ecrã).

Eis os 18 episódios:



1. Maria Vieira conta "O Rapaz e a Ponte": com a actriz a fazer tanto de velhota contadeira como do rapaz do dito conto.



2. Vítor de Sousa conta "O Lobo e a Raposa".




3. Óscar Acúrcio ("O Leão Da Estrela", "Os Verdes Anos", "Chuva Na Areia") conta "O Pedro das Malas-Artes".



4. Canto E Castro conta "A Romãzeira do Macaco": onde a narração foi feito com auxílio a painéis iluminados. 



5. João Mota ("Pós de Bem-Querer", "Estrada Larga", "Uma Cidade Como A Nossa") conta "A Torre da Má-Hora". Este é um dos episódios que melhor me recordo. Quatro dos jovens petizes da assistência dramatizaram a história: três rapazes a fazer de cavaleiros e uma rapariga a fazer de uma velha feiticeira, isto sem quaisquer figurinos (os quatro usavam as suas roupas normais e não houve nenhum esforço para "envelhecer" a rapariga que fazia de velha),  só com a narração a indicar que personagens é que desempenhavam e incluindo algumas cenas de luta em que paus de vassoura substituíam as espadas da história e notava-se que os rapazes, mesmo seguindo a história e sendo a fingir, tiveram dificuldade em mostrar-se vencidos pela rapariga.  

   

6. Adelaide João conta "O Macaco do Rabo Cortado"


7. Amélia Videira conta "A Velha e as Crianças"




8. António Assunção conta "O Pinto Borrachudo". O actor vestiu literalmente a pele da personagem-título.



9. Ângela Pinto conta "O Coelhinho Branco". A actriz manipulava uma maqueta enquanto contava a história.


10. Carlos Paulo conta "Dom Caio". O actor contou a história enquanto manipulava umas marionetas dentro de um "palco" embutido no fato que envergava.



11. Fernando Gomes conta "A Gaita Milagrosa"




12. Melim Teixeira  ("Chuva Na Areia", "Sozinhos Em Casa", "A Ferreirinha") conta "Os Dois Compadres". O actor contou a história com auxílio de máscaras.



13. José Gomes conta "O Sapateiro e o Vizinho Rico"



14. Henriqueta Maia conta "O Grão de Milho". Ao longo da narração, houve várias figuras a "sobrevoar" o tecto do estúdio.



15. Álvaro Faria conta "Branca Flor"



16. Argentina Rocha (a voz do Benny Bunny em "Alice No País das Maravilhas") conta "A Macaquinha"


17. Cucha Carvalheiro conta "Os Sete Cabritinhos"



18. José de Carvalho ("Gente Fina É Outra Coisa", "Chuva Na Areia", "Palavras Cruzadas") conta "Os Três Porquinhos"




O site "Brinca Brincando" (de onde vêm as imagens utilizadas neste texto, pelas quais eu agradeço) refere ainda que entre as várias crianças que serviam de audiência às histórias contadas, esteve a actriz Cleia Almeida, decerto ainda longe de imaginar que seria uma actriz tão conhecida como muitos dos contadores que participaram no programa.



1.º episódio com Maria Vieira





O programa encontra-se disponível para visualização na RTP Arquivos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...