sábado, 23 de maio de 2026

Furor (1998-2000)

Miguel Dias já leva várias décadas de carreira no entretenimento. Tendo ficado conhecido do grande público como o vocalista da banda Mercúriocromos (lembram-se de "sou camionista, sou o maior"?), Dias também se destacou em vários programas de televisão, geralmente aqueles produzidos por Teresa Guilherme, onde colaborou como actor, apresentador ou roteirista, e nos últimos anos tem estado sobretudo ligado a produções de teatro musical e de revista. 

Recentemente, o canal de Miguel Dias no YouTube tem disponibilizado vários programas da SIC em que colaborou, alguns deles que eram lost media, como sessões de "Ai, Os Homens", "Cantigas Da Rua", "Ousadias", "Confissões" e do concurso "Só Números". E também algumas sessões do programa sobre o qual hoje nos debruçamos, "Furor"



Adaptado de um original italiano "Furore" (quem na altura tinha TV Cabo poderá eventualmente tê-lo visto na RAI Internazionale), "Furor" foi uma das principais apostas da SIC para o Verão de 1998. Tratava-se de uma guerra dos sexos musical onde duas equipas, cada qual composta por cinco famosos, defrontavam-se em vários desafios de karaoke ou relacionados com música e famosos. Música essa que era bastante variada e que podia ir dos hits do momento até clássicos mais antigos.



Bárbara Guimarães era a anfitriã de serviço, apoiada por Miguel Dias, e a produção era, surprise surprise, de Teresa Guilherme. Inicialmente os convidados VIP pendiam mais para aqueles então na casa dos 20 e 30, mas eventualmente também por lá passaram vários famosos veteranos, alguns até que nem estavam relacionados à SIC. Aquele que se sentava ao meio em cada uma das mesas era nomeado o chefe de equipa.

A audiência também estava "segregada" com os homens de um lado e as mulheres de outro, cada qual apregoando cantos de apoio à respetiva equipa ou de ligeira provocação à adversária. E o tema do programa não podia ser mais básico mas que não saía da cabeça: "Furor, furor, na na na na na na na…


 



A título de explicação, vamos tomar por exemplo esta sessão que tinha na equipa feminina Florbela Queiroz, Luísa Beirão, Dina, Simara e Anabela Rodrigues e na masculina, Rui Paulo, Vítor Cândido (não me lembro nada dele, era ator ou modelo?), Bonga, Ildeberto Beirão e Rodrigo Saraiva


- Geralmente o primeiro jogo começava com cada equipa a cantar uma canção designada (no caso da sessão acima referida "Eye Of The Tiger" para eles, "I Will Survive" para elas), sendo que a dada altura, a música parava e tinham de continuar acapella. Ao longo do programa, os telespectadores podiam também cantar pois as letras das canções aparecia, no ecrã. (Escusado será dizer que nem todos os famosos tinham vozes muito famosas.) 
Outros jogos musicais consistiam em cantar uma canção evitando palavras como uma certa letra como por exemplo nesta sessão, o "Mãe Querida" sem palavras com a letra M.  ("não há outro ... na vida igual ao ... de ...") ou em que cada membro tinha de à vez cantar uma parte de uma canção. Esta sessão em particular teve até um jogo tipo Pictionary onde um membro de cada equipa (Luísa Beirão para elas, Rodrigo Saraiva para eles) teria de desenhar um título de uma canção para os restantes colegas adivinharem. 




- Mas nem só de música de faziam os jogo do "Furor". Havia outros dedicados a figuras públicas, como por exemplo descobrir se uma citação de uma determinada figura pública era verdadeira ou falsa (tendo em conta que a situação podia só estar ligeiramente alterada) ou descobrir famosos através de versões distorcidas das suas caras. 




- No final de cada jogo, havia uma espécie de penitência para a equipa que perdeu, que era de cantar medleys dedicadas a um determinado cantor ou tema, mas em que rapidamente a cantoria se estendia à outra equipa. Na sessão acima referida, houve medleys de António Variações, de Juan Luis Guerra e uma de hits bicharada infantil com Abelha Maia, Eu Vi Um Sapo e O Camelo Areias. 

- Cada sessão também tinha uma atuação de um convidado especial, que até podia ser internacional, como nesta sessão onde atuou o grupo Flip Da Scrip que estava baseado na Alemanha mas cujos membros eram americanos. Quem se lembra deste "I Never Told You", que muito se ouviu nas rádios nacionais nesse ano de 1998?

- No seu livro "Isso Agora Não Interessa Nada", Teresa Guilherme recorda um divertido episódio que decorreu na sessão em que os convidados eram artistas pertencentes ao universo que se convencionou chamar de música pimba, com nomes como Ana Malhoa, José Malhoa, Micaela, Romana, Ruth Marlene, Emanuel e Fernando Correia Marques. Num jogo onde cada um tinha de cantar uma canção que referisse o nome de um animal, estes artistas criaram cantando um enorme jardim zoológico. A ideia era que o jogo terminaria quando alguém não se lembrasse de mais nenhuma canção ou repetisse uma que já tivesse sido dita, mas nas vozes e nas memórias destes cantores, essa arca de Noé musical prolongou-se por uns bons quarenta e cinco minutos. Até que por fim, um deles referiu o "Eu ouvi um passarinho" e Bárbara Guimarães e Miguel Dias aproveitaram para terminar o jogo, alegando que passarinho era um termo genérico e não um animal específico. Quando o produto final chegou aos telespectadores, essa longa bicharada foi editada para uns escassos dez minutos.  

- "Furor" começou por dar inicialmente num dia de semana, acho que à terça-feira, mas depois passaria para os domingos. Houve também dois especiais de fim-de-ano. Um deles para o réveillon 1998/99 que, segundo Teresa Guilherme conta noutro livro, "O Avesso Do Direto", foi-lhe proposto por Emídio Rangel muito em cima da hora, a 15 de Dezembro. Mas por fim lá se conseguiu arranjar uma vaga no Coliseu dos Recreios no dia 23 para gravar esse especial, aproveitando o palco circular do Circo de Natal que na altura estava montado para no Coliseu. 

- "Furor" reapareceria uma última vez na SIC  para um especial para a passagem de ano 2000/2001, desta vez conduzido por Ana Marques, que acabaria por passar despercebida pois nessa noite o país parou para ver o final do primeiro Big Brother.  

Outras sessões do "Furor"

Equipa feminina: Fernanda Serrano, Nayma, Rita Salema, Maria João Pinheiro, Julie Sargent
Equipa masculina: Joaquim Monchique, Miguel Vital, Miguel Ângelo, Pedro Reis, Miguel Gameiro
Convidados: Excesso "És Loucura"


Equipa feminina: Adelaide de Sousa, Mónica Sofia, Lúcia Moniz, Ana Marques, Rita Ferro Rodrigues
Equipa masculina: Jorge Gabriel, João Pedro Pais, Ricardo Carriço, Armindo Neves, Carlos Bruno



Início do Furor Especial de Fim de Ano 2000/01





domingo, 3 de maio de 2026

Homem-Aranha (2002)


Peter Parker (Tobey Maguire, "Pleasantville", "The Ice Storm"; na época com 27 anos a interpretar um adolescente graças ao seu look jovial) é o típico nerd da cultura pop: óculos, fisicamente fraco, sem sorte ao amor e nulas capacidades sociais. Um dia, quase como nos comics, é mordido por uma aranha geneticamente alterada e ganha capacidades sobre-humanas depois de uma noite de metamorfose. A transformação imediatamente leva a eterna vitima de bulling a ser um "macho alfa", até os seus seres queridos sofrerem as consequências. Depois da vazia vingança consumada, nasce verdadeiramente o super-herói que todo o Mundo ama (excepto J.J. Jameson). O principal nemesis de Peter Parker é Norman Osborn (Willem Dafoe"Platoon", "The Last Temptation of Christ") o maníaco Green Goblin, e pai do único amigo de Peter, Harry Osborn (James Franco, "Freaks and Geeks", "Milk") e o seu interesse amoroso é Mary Jane (Kirsten Dunst, "The Virgin Suicides", "Anastasia") que de imponente top model foi reimaginada como a vizinha adorável.

"Spider-Man" estreou na sua terra natal a 3 de Maio de 2002 e 21 de Junho em Portugal. Houve antes uma grande campanha de marketing por parte da Sony Pictures, incluindo o infame e magnífico teaser trailer com as Torres Gémeas (do World Trade Center), que foi rapidamente expurgado depois do ataque terrorista de 11 de Setembro 2001 (não consigo recordar se vi o trailer primeiro numa sala de cinema, ou na Internet) que também obrigou a refilmagens de algumas cenas. Mas, the show must go on, e a crescente comunidade nerd online esperava em antecipação, assim como os plebeus que também queriam ver o primeiro filme "a sério" com a origem, metamorfose e triunfo do herói mais conhecido que Jesus Cristo. 

Em Fevereiro de 2004, escrevinhei este post de apreciação da primeira entrada do Aranha do grande Sam Raimi: "Spider-Man", o "Homem-Aranha":

"Aproveitei que me ofereceram o DVD no meu aniversário, para rever um filme, que gosto mais, cada vez que tenho oportunidade de ver. Confesso que fiquei desiludido quando fui assistir á estreia no grande ecran, esperava um filme com mais acção, mas depois de vê-lo em versão pirata, apercebi-me dos seus pontos fortes, uma história ligeira, bem desenvolvida e que não se deixou embriagar pelos CGIs, e tem a Kirsten Dunst! O DVD trás uma quantidade apreciável de extras, que recordam as origem do personagem na BD. E para quem tem um computador decente (ao contrário de mim...) ficará agradado com o jogo de acção incluído (julgo que será só uma demo, tenho que confirmar isso...).
Agradável e entretido, recomendo vivamente!!
Ah, e está lá a Kirsten Dunst (não sei se já tinha mencionado esse facto...)"

Tenho pouco a adicionar aos meus rascunhos 2000s, mas, bem, eu estava mesmo com um crush pela querida Kirsten. Mas isso foi meia vida atrás...
Entre os pontos altos, a vitalidade da direcção e humor de Sam Raimi (Evil Dead), a cinematografia de Don Burgess (Contact, Castaway), a edição por Bob Murawski (um habitual colaborador de Raimi) e Arthur Coburn. E claro, em categorias igualmente importantes, banda sonora do genial Danny Elfman (Batman, Sleepy Hollow, etc) e efeitos especiais computorizados de ultima geração (supervisionados pelo lendário John Dykstra, que trabalhou em projectos como "Star Wars", "Battlestar Galactica", "Star trek: The Motion Picture", etc ) misturados com os efeitos práticos do agrado do realizador. E um elenco perfeito, desde os principais aos secundários. 
Não querendo repetir, mas realmente cada vez mais aprecio a maestria com que Sam Raimi nos brindou neste filme que dois anos depois de "X-Men" e seis antes do "Iron Man" escancarou a porta à enxurrada de filmes com as aventuras de super-heróis das seguintes décadas. Na época deixei-me também levar por algumas reações negativas ao uniforme do vilão ao estilo dos Super Sentai, mas tantos anos depois não consigo imaginar outra versão além da que foi filmada.
Pessoalmente, esta película continua a ser versão definitiva da origem do Spider-Man. Sim, não sou grande fã das versões com o Andrew Garfield e do Tom Holland.


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