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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Boney M - Sunny (1976)


"Sunny" foi o terceiro single do grupo de êxito eurodisco "Boney M", lançado em 1976, integrando o álbum de estreia 'Take the Heat off Me' (1976). A canção é uma versão de "Sunny" de Bobby Hebb, de 1966.
Capa do vinil com melhor qualidade: "Boney M - Sunny".

Sunny:

O lado B do single tinha o tema "New York City":

New York City:

Hansa International
Stereo 17459 AT

Os Boney M já foram cromados por Nuno Markl:

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Caderneta de Cromos - O Fim


A noticia que temíamos, mas que sabíamos que ia chegar foi confirmada hoje: a Caderneta de Cromos chegou ao fim. O criador e homem do leme, Nuno Markl publicou o anúncio no Facebook, num texto dirigido aos fãs: "A Vida Depois dos Cromos". O autor "sabia, desde o primeiro cromo, que a Caderneta de Cromos iria ser finita." 
A "Caderneta" impressiona pela duração - mais de mil cromos -  e deu origem a dois livros, uma agenda, um jogo de tabuleiro, um CD,  um espectáculo ao vivo, figuras de PVC; mas impressiona principalmente pelo desenvolvimento de um comunidade fiel, dinâmica com constante interactividade entre o autor e os fãs, a um nível nunca conseguido em Portugal. 
Sou obrigado a concordar com o Nuno Markl, é um facto que os cromos mais óbvios já foram feitos, e o formato já não permitia muita inovação. E sem dúvida que é preferível terminar um projecto enquanto ainda tem qualidade. Todos sabemos de artistas que há muito se deviam ter reformado, em vez de espremer a vaca até secar, certo?
Vou ter saudades da emoção de ouvir um programa com um tema que desejávamos ouvir, ou redescobrir coisas que estavam enterradas na memória, ou ouvir o nosso nome em directo na rádio em agradecimento a uma sugestão ou contribuição para a "Caderneta", ou rir sozinho no meio da rua a ouvir o leitor de mp3 com os podcast. Adorei participar no grupo de fãs hardcore que organizou  surpresas especiais para a festa do "Cromo Nº 1000", um abraço a todos!
E sosseguem os leitores da "Enciclopédia de Cromos", apesar de a principal inspiração deste blog terminar, no que depende de mim, este blog está para durar! Ainda temos muitos assuntos que arquivar na nossa Enciclopédia! Pode parecer irónico que um tipo (eu) que sempre teve uma memória péssima, abrir um blog para falar de memórias, mas a "Caderneta" foi um grande estímulo, e sempre posso contar com as memórias dos meus colaboradores, a quem aproveito para mandar um abraço, porque dinheiro não há! E vamos lá terminar o texto, que já me alonguei mais do que queria:
Apesar de já esperar, foi uma pena ter a confirmação do final do programa que se tornou muito mais que um programa! Espero que a família de fãs da Caderneta não se disperse, e desejo ao Nuno Markl todo o sucesso para o novo projecto, do qual espero tornar-me fã! Obrigado ao Markl e Companhia pelos mais de 1000 programas! Foi bom reviver o passado com um sorriso!

P.S. - E sempre vamos poder ouvir e recordar os podcast :)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Uma História ao Fim do Dia (1986-1987)


Enquanto vagueava pelo Youtube em busca de novidades, deparei-me com um video recente do excelente canal LUSITANIA TV (também no Facebook), e uma janela da memória escancarou-se, o cenário, a música, tudo se tornou familiar! Falo desta preciosidade: "História ao Fim do Dia", escrita por José Fanha, que entre 1986 e 1987 preparava os meninos e meninas para a visita do Vitinho. O genérico musical (autoria de Carlos Alberto Moniz) mostrava uma cidade à noite, aproximando-se de um prédio com as janelas com o número de cada dia do mês. A janela do dia respectivo abria-se e um fantoche fazia uma introdução ao tema da história do dia. Em seguida, um texto de um autor português era lido pelo contador de historias, função desempenhada por Vera Roquete ou Serenella Andrade, entre outros.

Edição de 22 Dezembro de 1987, narrada pelo actor António Rama (obrigado ao Paulo Neto pela dica!):



O video, infelizmente está incompleto, mas tem no inicio, um brinde: um anúncio à eau de toilette Darling.

Pela Net é possível encontrar mais alguns poucos vídeos do programa.

No canal Desenhos Animados, a edição de 24 de Outubro de 1986:



O Paulo Neto descobriu mais este no Youtube, de 15 de Dezembro de 1987, narrado por Catarina Avelar. Como bónus ainda inclui o Vitinho! Deliciem-se:


No canal oficial de Lúcia Moniz, uma actuação de uma versão mais longa do genérico, lançada em vinil:


Um programa simples e de qualidade, que recordo com muita saudade.

Obrigado a "Pipi Hahamoggies", que lembrou nos comentários deste post, que o programa já foi abordado por Nuno Markl:

terça-feira, 24 de julho de 2012

Bota Botilde


Uma das mascotes mais famosas da televisão, presente também numa infinidade de merchandising, desde brinquedos a porta-chaves. A Bota Botilde foi, nos anos 80, a mascote do concurso "Uno, dos, Tres", e claro, da sua contra-parte portuguesa "Um, Dois, Três", apresentado por Carlos Cruz entre 1984 e 1988. Na Espanha, a Botilde veio substituir a abóbora Ruperta. O site "Un, Dos, Tres Web" refere que no pais de nuestros hermanos a Botilde só durou um ano e não teve tanto sucesso como em Portugal. A bota foi criada em 1983 por Jaime Agulló, e no genérico animado do concurso (reciclado em Portugal) cantava com a voz de Ibáñez Serrador e música de Adolfo Waitzman.


Genérico Português:

Genérico Espanhol:

Um mealheiro.
Foto: Viver80
 A Boti-Bota, o brinquedo mais famosa com a bota Botilde:
Foto: Crescer Em Movimento

Foto: Un, Dos, Tres
Foto: Aquella Maravillosa Infancia

Boti-Bota com a indicação "RTP - 84":
Foto: AnaKelme
Uma BotiBota actualmente, bastante degradada:
A Boti-Bota era simples de brincar, bastava enfiar um dos pés no aro amarelo e fazer girar a bota e saltar com o outro pé para evitar bater na bota. Horas de diversão garantida!

Foto: O Brinquedo Antigo
 Não sei se houve destes jogos à venda em Portugal:


Mais merchandising espanhol da Bota Botilde: "Un Dos Tres" Web

A mascote seguinte foi o "Zé Sempre em Pé", criado apenas para o "Um, Dois, Três" de Portugal. Mas isso fica para outro dia :)


Contem nos comentários ou no Facebook da Enciclopédia as vossas memórias da Bota Botilde!
Bota Botilde que desenhei para o "Cromo nº 1000".

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Canções dos Jogos Olímpicos

por Paulo Neto

Um evento da grandiosidade dos Jogos Olímpicos pede sempre uma banda sonora à altura e nos anos 80 e 90, foram vários os tema épicos que capturaram o imaginário do maior evento desportivo do planeta. Nos Jogos de 1984 em Los Angeles, os primeiros que me recordo de ter visto, ficou na memória a partitura "Olympic Fanfare" de John Williams que era ouvida mal começava uma transmissão em directo da RTP em Los Angeles. Desde então foi utilizada em diversos eventos, desportivos e não só, como uma das primeiras vezes em que fui ao circo e ouvi a banda a tocar isto.


  
Mas foi em 1988, nos Jogos Olímpicos de Seul, que uma canção marcou pela primeira vez uns jogos da olimpíada. Apesar da K-Pop ser actualmente um fenómeno de culto a nível global, o primeiro grande êxito musical internacional oriundo da Coreia do Sul foi este "Hand In Hand" dos Koreana (acho que só apenas superado mesmo pelo "Gangnam Style"). O grupo foi fundado em 1962 mas só editou o primeiro disco em 1979 já com a formação definitiva composta por Hwa Ja "Marie" Hong, Ae Sook "Cathy" Lee, Seung Kyu "Tom" Lee e Yong Kyu "Jerry" Lee, que durou até à dissolução em 2003. Com a produção a cargo do lendário Giorgio Moroder, "Hand in hand" foi um êxito à escala global, tendo sido n.º1 na Alemanha, Suécia, Japão e Hong Kong.

 


Como se isso não bastasse, a compilação oficial dos Jogos Olímpicos de 1988 continha uma das mais épicas baladas de Whitney Houston, "One Moment In Time", cujo videoclip tinha imagens da nossa Rosa Mota! Recorde-se que também foi com esta canção que Sara Tavares ganhou o "Chuva de Estrelas".




Como é que se poderia dar seguimento a dois épicos destes? Com um dueto épico para os Jogos de 1992 em Barcelona. De um lado, José Carreras, membro de Santíssima Trindade dos tenores superstars, em conjunto com Luciano Pavarotti e Placido Domingo, que tinham conseguido conquistar público além dos amantes de ópera e tornarem-se campeões de vendas. Do outro Sarah Brightman, a beleza britânica com voz de anjo, que começara ainda adolescente em temas disco kitsch (como este que ainda costuma passar amiúde no VH1) para depois brilhar no teatro musical, pela mão de Andrew Lloyd Webber com quem viria a casar. Juntos cantaram esse épico arrebatador que é "Amigos para siempre". O tema acabou a única memória positiva para Portugal dos Jogos de 1992, já que saímos da Catalunha de mãos a abanar, sem nenhuma medalha (nem sequer no hóquei em patins, que fora modalidade de demonstração!). E claro está, cinco anos mais tarde, Sarah Brightman voltaria a gravar outro dueto esmagador com outro cantor lírico.
Curiosamente,  o tema  era originalmente interpretado em ritmo de rumba, popularizado sobretudo na versão dos Los Manolos.
 

 E como se já não fosse suficiente, outro dueto épico foi reeditado, por razões óbvias, na mesma altura. Falo obviamente de "Barcelona" de Freddy Mercury e Montserrat Caballé, originalmente editado em 1987. 
 


Quatro anos depois, para o Jogos de Atlanta, mais dois temas oficiais bem olímpicos, na voz de duas divas. Em 1996, Céline Dion reinava suprema nas tabelas de vendas e na ondas hertzianas de todo o mundo, daí que não fosse de admirar a presença dela para actuar na cerimónia de abertura em Atlanta, apesar de ser canadiana. Interpretou "The Power of a Dream", escrita por David Foster, Linda Thompson e Babyface. A canção foi posteriormente incluída no lado B do single "It's all coming back to me now" de Dion.




Mas o maior hit dos Jogos de Atlanta, que consagraram Fernanda Ribeiro, foi "Reach" de Gloria Estefan. O tema, escrito pela própria e por Diane Warren, permanece como um dos melhores momentos do repertório a solo da ex-vocalista dos Miami Sound Machine. Também recordo de ser amplamente requisitado por participantes do "Chuva de Estrelas" e do "Cantigas da Rua" e o vídeo, realizado pelo já falecido fotógrafo Herb Ritts.

 

Estefan interpretou o tema na cerimónia de encerramento. Além disso, gravou uma versão espanhola "Puedes Llegar", com tudo o que era estrela da música latina na altura: Julio Iglesias, Roberto Carlos, Ricky Martin, Jon Secada, Placido Domingo, só para nomear os mais conhecidos.





Entretanto este post foi abordado na Caderneta de Cromos de Nuno Markl! Ouçam aqui:







sexta-feira, 20 de julho de 2012

José Hermano Saraiva


Figura incontornável da televisão, comunicador com um estilo inconfundível, além dos programas que protagonizou, foi historiador e Ministro da Educação e embaixador no tempo da outra senhora. Faleceu aos 92 anos, a 20 de Julho de 2012, na sua casa em Palmela. Nasceu a 3 de Outubro de 1919, em Leiria. Durante décadas esteve presente nos ecrãs portugueses, visitando locais históricos e partilhando essa mesma história com gerações de espectadores, num estilo amado por uns e odiado por outros.

Foto: Público

"Começou a sua carreira como professor, acrescentando depois ao seu currículo a advocacia. Entrada depois na política durante o Estado Novo, tendo em 1957 sido deputado à Assembleia Nacional e procurador às cortes. Ainda antes do 25 de Abril assumiu os cargos de procurador à Câmara Corporativa e ministro da Educação, entre 1968 e 1970, cargo no qual foi substituído por Veiga Simão após a crise académica de 1969. Em 1972 passaria a a ser o embaixador de Portugal em Brasília.

Depois do cargo diplomático, José Hermano Saraiva iniciou uma colaboração com a RTP em 1971 que se manteve até hoje. Primeiro com “Horizontes da Memória”, depois com “Gente de Paz”, “O Tempo e a Alma”, “Histórias que o Tempo Apagou” e “A Alma e a Gente”.

Um dos seus livros mais conhecidos é a “História concisa de Portugal”, já na 25.ª edição, com um total de cerca de 180 mil exemplares vendidos. Editado pela primeira vez em 1978, este título foi já traduzido em espanhol, italiano, alemão, búlgaro e chinês." in Público


O humorista Herman José, numa das suas caricaturas mais famosas, imitou o apresentador, aqui num video recente:



Entretanto, o professor ganhou cromo na Caderneta de Nuno Markl:

sábado, 14 de julho de 2012

Peta Zetas


As Peta Zetas (ou Petazetas) são com certeza das mais estranhas guloseimas do Mundo, o doce que quando entra em contacto com a saliva na boca desencadeia uma reacção química que ao libertar as bolhas de CO2 presas no caramelo causa efervescência acompanhada por estalos bem sonoros!

A história das Peta Zetas começou no EUA, quando em 1956 o químico William A. Mitchell inventou o doce, que foi colocado no mercado bem mais tarde, nos anos 70, sob o nome "Pop Rocks"mas foi um inicial fracasso de vendas. Foi retirado do mercado por problemas em manter o prazo de validade e por causa do mito urbano (já demonstrado falso pelos MythBusters - ver o vídeo) de que tomar Peta Zetas e beber depois Coca Cola faria explodir o estômago! Um mito que ainda perdura hoje!
Depois do produto sair do mercado dos EUA, a empresa espanhola "Zeta Espacial S.A" adquiriu os direitos de produção e mudou o nome do doce para "Peta Zetas", criando um sucesso de vendas. Nos países latinos o nome é "Peta Zetas" mas nos EUA venderam com o nome "Fizz Wiz", onde ironicamente teve mais sucesso que o original "Pop Rocks". Segundo dados da empresa, a "Peta Zetas" já estava presente em Espanha e 7 países. Ganhou a primeira medalha de "Medalla de Oro a la Exportación" em 1982. Dois anos mais tarde já alcançava 26 países e actualmente exporta para mais de 60 países. O sabor original era a morangos, mas mais tarde foram desenvolvidos sabores como laranja, coca-cola, etc.
Actualmente voltou ao nome "Pop Rocks" no mercado norte-americano. O site da filial americana tem na página de entrada uma cena do filme "Urban Legend" em que brincam com o mito da Pop Rocks + Coca Cola [video].

Um precioso momento em que as Peta Zetas são exibidas no concurso "O Preço Certo":



Anúncios espanhóis:



Este é o look actual das embalagens de Peta Zetas:


Mais sobre a versão americana "Pop Rocks":


Tenho quase a certeza que este anúncio é falso: Pop Rocks [NSFW!] !
Como curiosidade, na Espanha no canal Antena 3 houve em 2008 um programa de televisão sobre os anos 80 chamado "Peta-zetas", vejam excertos dos programas: Antena 3 - Peta-Zetas

E claro, tenho que recomendar o programa da "Caderneta de Cromos" sobre as Peta Zetas:
Agora fiquei com vontade de voltar a provar :)

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Cláudio e Carolina

Carolina e Cláudio.
Ao ver os magníficos vídeos disponibilizados no YouTube, deparei-me com esta beleza, enterrada nas profundidades da memória: "Cláudio e Carolina":







Este episódio foi gravado aquando da exibição o RTP Memória.
A descrição do video, e do programa é a seguinte:

"Cláudio e Carolina é uma série de programas infantis com autoria de Isabel Andrea e realização de Manuel Pires, que pretende ensinar as crianças, enquanto as diverte.
Utilizando fantoches, o Cláudio, a Carolina e outros bonecos, as crianças vão poder aprender nesta série, a ver as cores pelos olhos do pintor João Vieira, a medir o tempo, a telecomandar um avião de brincar, a conhecer os instrumentos musicais, a conhecer os chapéus, a aprender coisas sobre o mar, a fazer bonecos de Natal e muito mais coisas.
Um programa com a colaboração do teatro de fantoches Lanterna Mágica."

A voz de Carolina era de Isabel Andrea e a de Cláudio era de António Gualdino. A direcção musical estava a cargo de Vera Quintanilha e ao longo dos 11 episódios passaram pessoas ligadas ao mundo das artes, do espectáculo e do desporto como Carlos Alberto Moniz e o futebolista Filipovic.

O excelente blog "Brinca e Brincando" tem mais informação: "Cláudio e Carolina"

Falava lá acima da memória. A minha memória é tão boa que nem me lembrei que já houve cromo desta série!



Duvido que muitos miúdos de hoje em dia tivessem pachorra para este tipo de diversão...
Alguns screenshots:



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Terylene - Vestuário (1969)



Mais um anúncio da marca "Terylene", desta vez a roupa feito desse material sintético. E como o reclame define as mulheres que vestem Terylene? Assim:
"As outras mulheres falam desta mulher. Umas dizem-na sensacional. Outras invejam-na. Os homens sentem, imediatamente que ela é diferente. Ama o que é belo, novo e requintado - para si, para os seus, para a sua casa!"
Mas os elogios não ficam por ai:
"Adora viagens, jóias autênticas, o requinte dos modelos de Coco Chanel.
E, naturalmetne, vestidos de 'Terylene': imensas cores e padrões novos!
Blusas de 'Terylene': leves tão fáceis de cuidar!
Para a sua casa, os lencóis de 'Terylene': tão du(?).
Para os seus filhos, escolhe, em 'Terylene', calções resistentes, vestidos maravilhosos!"

Interessante a ilustração, uma colagem de fotos e desenhos, com a mulher de pé no centro da página, "invejada por todas (...admirada por todos)".
"A mulher que veste Terylene marca o rumo".

Este anúncio foi analisado por Nuno Markl na Caderneta de Cromos:
"Caderneta de Cromos 1089 - Terylene [Ouvir/Download Podcast]"]

Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Estrada de Fogo (1984)

por Paulo Neto

Tal como "Reckless / Jovens Sem Rumo" (do qual já falei aqui) precisou de conhecer o fracasso na altura e deixar o tempo passar para se tornar uma paradigmática cápsula do tempo dos anos 80 e assim ser elevado a filme de culto, houve um filme da mesma altura que precisou de outro tempo e de outro lugar para ser apreciado.



Falo de "Estrada de Fogo" ("Streets of Fire", no original), também de 1984, realizado por Walter Hill ("48 Horas", "Os Selvagens da Noite"), que transpôs a sua habitual temática da lei das ruas para esta invulgar mescla de filme de acção com musical, definido como uma fábula rock & roll. O mítico Jim Steinman, famoso pelos suas épicas composições musicais interpretadas por Meat Loaf e Bonnie Tyler, contribuiu prolificamente para a parte musical do projecto, nomeadamente com a canção que viria a eternizar o filme.

Logo ao início as legendas que dizem "Another place, another time" avisam que estamos perante um universo paralelo onde o passado (anos 50) e o presente de então (anos 80) se misturam. Um concerto  da estrela rock Ellen Aim (Diane Lane) e da sua banda Ellen Aim & The Attackers na sua cidade natal é interrompido pelo gang The Bombers e o seu líder Raven Shaddock (Willem DeFoe) que rapta selvaticamente Ellen em pleno palco. A única esperança para salvar Ellen está numa sua antiga paixão Tom Cody (Michael Paré), que se tornou um duro e rude soldado de fortuna. Contactado pela sua irmã Reva (Deborah van Walkenburg), Tom Cody aceita a missão, acompanhado de McCoy (Amy Madigan), uma aguerrida ex-soldado e Billy Fish (Rick Moranis), o agente de Ellen. Antipatizando com Cody e apenas tolerando-o por não ter outra saída, Billy lembra-lhe constantemente que é ele quem paga a missão e quem namora actualmente com Ellen.







Cody e McCoy conseguem introduzir-se no antro dos Bombers e salvar Ellen. Raven descobre-os já em fuga e segue em seu encalço. Durante a alucinante fuga, Cody, Ellen, Billy e McCoy acabam por arrastar com eles também uma fã de Ellen (Elizabeth Daily) e The Sorels, um grupo de doo-wop que viaja num autocarro. Quando chegam à cidade, Ellen desilude-se quando Billy afirma que Cody só concordou em salvá-la por dinheiro. Mas quando este aceita apenas a parte prometida a McCoy, Ellen e Cody retomam brevemente o romance. Só que o iminente confronto com Raven vai mudar de novo o destino de ambos...



Promovido como um dos blockbusters no Verão de 1984, "Estrada de Fogo" acabou por ser um fracasso de bilheteira e foi achincalhado na crítica. E de facto, contém várias pontas soltas que impedem de ser o grande filme que poderia ser. O principal problema estará porventura no protagonista, pois Michael Paré revela ter o carisma de uma ostra, demasiado caricatural nas cenas de acção e pouco convincente na parte romântica. Diane Lane é bela e sensual, mas nota-se que ainda estava um bocadinho verde para este seu primeiro grande papel. Willem DeFoe, apesar da sua habitual competência, também não consegue escapar à caricatura. Salvam-se sobretudo Amy Madigan, segura e convicente no seu papel de maria-rapaz (inicialmente escrito como uma personagem masculina) e Rick Moranis, que interpreta aqui uma variante interessante do sua eterna personagem de nerd que faz em todos os seus filmes, a do nerd fanfarrão e cheio de garganta, mas pouco traquejo. De assinalar também um cameo de Marine Jahan, que fez as partes de dança da protagonista de "Flashdance", como a stripper do antro dos Bombers. Também não percebo a personagem da groupie (Elizabeth Daily), a quem o grupo aceita que ela os acompanhe para que não denuncie Ellen e não perderem tempo. Tirando esse primeiro momento, ela passa o resto do filme como um emplastro irrelevante.


Além da partitura musical de Ry Cooder, a banda sonora contava, além do já referido Jim Steinman, com composições de Stevie Nicks e Tom Petty, bem como canções de The Blasters, The Fixx, Marilyn Martin e Dan Hartman, que cantou "I Can Dream About You", o tema mais bem-sucedido do filme na altura (n.º 6 do top americano).
Porém seria eventualmente "Nowhere Fast", a canção que abre o filme, que daria a "Estrada de Fogo" o seu lugar na memória colectiva, especialmente em Portugal. Lembro-me que vi a primeira parte do filme quando passou na RTP no início dos anos 90 na mítica "Lotação Esgotada" de quarta-feira e de ter ficado impressionado com a canção. E eu não fui o único pois foi a partir daí que "Nowhere Fast" passou a ser amplamente tocada nas discotecas e na rádio, e a ser usada em programas de televisão (lembro-me de a ouvir por exemplo, no "Ai, Os Homens" durante uma prova de artes marciais de um concorrente). Quando a banda sonora foi editado em CD, uma colega minha que era fã de Diane Lane e adorava a canção apressou-se logo a comprá-lo e foi prontamente tocado na rádio-escola.
"Nowhere fast" é interpretada pelos Fire Inc., que não eram mais que os habituais músicos de Jim Steinman, e a voz de quem Lane fazia playback no filme é a de Laurie Sargent. Um épico trepidante que tornou-se essencial em várias noites retro das discotecas em Portugal e não só. Também recomendo a audição do outro tema dos Fire Inc., o não menos épico "Tonight Is What It Means To Be Young"  que fecha o filme e que chegou a ser utilizado como uma das taglines.



A popularidade da banda sonora acabou por renovar o interesse em "Estrada de Fogo" e elevá-lo ao estatuto de culto. O passar dos anos acabou por ser gentil para o filme, que agora vê-se bem por não ser levado tanto a sério como na altura.  Vê-se como uma fantasia surreal  ao estilo videoclip, ou não houvesse uma parte em que parece que o filme pára para dar lugar a um videoclip de Diane Lane a fazer playback de uma das canções do filme. Ou então, como afirmou Nuno Markl, como uma banda desenhada com gente de carne e osso. Seja como for, quando descobri o DVD em promoção na FNAC, decidi comprá-lo e apesar de todas as falhas e incipiências, vê-se com agrado e com um toque de nostalgia eighties.    

Trailer:


"Estrada de Fogo" esteve inicialmente pensado para ser o primeiro tomo de uma trilogia de Tom Cody, mas o insucesso comercial inviabilizou a continuação do projecto. Porém, em 2008, houve uma sequela não oficial e que passou completamente despercebida fora do circuito independente, "Road to Hell" com Michael Paré e Deborah van Valkenburg a retomarem os seus papéis.

Cromo "Streets of Fire" na rubrica Caderneta de Cromos de Nuno Markl: n.º 613 (14.4.2011)
    

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Lençois Somelos (1969)


Anúncio aos lençóis Somelos, em Terylene-Algodão, com o tratamento Duraforma.
"...Basta uma leve passagem com o ferro! Mesmo dada pela sua filha!" (N.E.:como se vê na ilustração, com a criança a passar a ferro)
"Você poupa e prova que sabe vestir... (a sua cama)".

O anúncio e o blog foram mencionados na Caderneta de Cromos de Nuno Markl! Ouça aqui:



Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Flintstones, Os (1960-1966)


A premissa da sitcom animada "Os Flintstones" é simples: retratava o quotidiano de uma família da classe média, ambientada numa Idade da Pedra alternativa, em que homens conviviam com dinossauros domesticados e outros animais pré-históricos, enquanto usam tecnologias ou costumes modernos, mas adaptados a esse passado alterado. Um dos exemplos mais recordados é o gira-discos tocado pelo bico de uma ave, os jornais em placas de pedra, os carros que funcionam com os pés dos condutores, etc.

A inspiração directa para "Os Flintstones" foram a sitcom The Honeymooners (1955-1956) e a animação Stone Age Cartoons (1940). O estúdio que produzir foi o clássico Hanna-Barbera ( responsável pelos sucessos Tom e Jerry, The Jetsons, Jonny Quest, Scooby Doo, etc). O nome original da série era "The Flagstones", mas foi mudado para evitar confusão com os personagens de uma banda desenhada.
A família Flintstone, a encarnação de uma típica família norte-americana de classe média, era chefiada pelo  Fred Flintstone, operário, casado com Wilma e pai da jovem Pedrita (Pebbles), personagem que nasceu mais tarde quando a série mudou o foco do público exclusivamente adulto (patrocinada pelos tabacos Winston, que incluia anúncios dos personagens a fumar cigarros da marca. Veja aqui.) para o publico mais jovem (fase patrocinada pelos sumos Welsh's).


"Yabadabadoo" é o grito "imagem de marca" do trapalhão e comilão Fred Flintstone. Além da sogra de Fred, outra parte importante da família é Dino, o dinossauro de estimação. Além do dinossauro, também têm um tigre dentes-de-sabre, Baby Puss. Os melhores amigos do casal são os seus vizinhos Barney Rubble (companheiro de tropelias de Fred) e Betty Rubble, que mais tarde adoptam Bambam (Bamm-Bamm), deixado à porta da sua casa.
Da esquerda para a direita: Fred Flintstone, Dino, Wilma, Pedrinha, Bambam, Betty e Barney.

O familiar tema musical, "Meet the Flintstones", só começou a ser utilizado na terceira temporada. A série terá sido a primeira animação americana a mostrar um homem e uma mulher a dormir na mesma cama,e também a primeira a ser nomeada para um Emmy (1961).

Genérico inicial e final:

"Meet the Flintstones" versão B52's:
A série original dos 60, da "família moderna da Idade da Pedra" deu origem a várias outras séries relacionadas, filmes e especiais televisivos [ver lista] e até dois filmes em imagem real: The Flintstones (1994) e a prequela "The Flintstones in Viva Rock Vegas" (2000).

Segundo a Wikipédia está previsto para 2013 a estreia de um remake, uma nova versão da série, agora desenvolvida por Seth MacFarlane, o criador de "Family Guy" e "The Cleveland Show".

A série já foi cromada:

domingo, 3 de junho de 2012

Os Amigos do Gaspar (1986)


João Paulo Seara Cardoso já tinha conseguido, com "A Árvore dos Patafúrdios" (1984), criar um universo fascinante com apenas um cenário. O seu projecto seguinte, "Os Amigos de Gaspar", que se estreou na RTP em 1986 no espaço infantil das manhãs de domingo, consolidou-o como o maior mestre nacional de animação com marionetas, tendo sido comparado com o lendário Jim Henson (com quem aliás, Seara Cardoso fez uma workshop). Infelizmente, o seguimento do seu trabalho em televisão acabou por ser breve. Mas para sempre ficam estas duas séries, que marcaram o panorama da animação nacional nos anos 80 e que ainda hoje vêem-se com agrado.
Ao contrário da "Árvore dos Patafúrdios", aqui reinam as figuras humanas. Numa pequena cidade algures em Portugal, Gaspar é o líder de um animado grupo de amigos pré-adolescentes. Sendo o mais maduro e responsável do grupo, é ele que assume o papel de líder. Enquanto os seus amigos entretêm com as tropelias próprias da idade, Gaspar interroga-se muito sobre o seu futuro e com questões mais adultas, e por vezes até se queixa da infantilidade dos comparsas. Mas mesmo assim, nunca recusa uma boa brincadeira com eles. Quem está sempre ao lado de Gaspar, é o animal de estimação deste, o Manjerico. Trata-se de uma estranha espécie de ouriço verde, muito espevitado e brincalhão. Embora todas as personagens parecem perceber tudo o que ele diz, nós só o ouvimos a repetir o célebre "Taio vaio saio" e a chamar "Gaspaio" ao dono.
Os seus amigos formam um grupo bastante unido, apesar de terem personalidades bem diferentes. Romão, que sonha em ser um músico famoso, é extrovertido e cheio de energia, ao passo que Farturas é introvertido, humilde e até um pouco taciturno. Clarinha é sensível e conciliadora enquanto Marta é temperamental e amua com facilidade. Existe ainda o Balú, o bicho de estimação de Clarinha, que tal como o Manjerico, é um animal de espécie indecifrável e com um discurso que só as personagens entendem.

Na primeira série, apenas entram dois adultos. Um é o Professor Fidebeque, o típico inventor chanfrado cujas invenções fazem as delícias de Gaspar e dos seus amigos. O outro é o mítico Guarda Serôdio, um beirão que trocou a enxada pelo apito de polícia e que é o desmancha prazeres do grupo de Gaspar. De bigode farfalhudo e voz cómica mas ríspida ("Ixto axim nã pode xer"), Serôdio está sempre a impor proibições, algumas bem ridículas, no parque onde os amigos brincam, tendo criado o CCPP (Código de Coisas Proibidas no Parque). Porém, Gaspar e os seus amigos arranjam sempre maneira de lhe passar a perna.
Como o Nuno Markl bem apontou no cromo que dedicou à série, apesar de já estarmos bem na década de 80, a personagem do Guarda Serôdio ainda era um resquício de crítica PREC. É fácil de ver na figura pacóvia mas autoritária de Serôdio uma caricatura do Estado Novo e nos amigos uma metáfora da liberdade recém adquirida.

Na segunda série, o elenco sofreu alterações. Clarinha e Balu saíram de cena, Marta ganhou uma marioneta mais bonita e a sua personagem amadureceu um pouco e surgiram cinco novas personagens. Nita, a irmã mais nova de Gaspar, que faz tudo para se integrar no grupo do irmão, se bem que eles a achem ainda muito criança. Pitágoras, o sobrinho e discípulo do Professor, também ele louco por inventar engenhocas. A Tia Felismina, dona da mercearia, que torna-se uma figura maternal para o grupo. O Senhor Pires, o típico velho rezingão, quase sempre com um barrete de pijama na cabeça, mas que não é indiferente à Tia Felismina. E o Neca, o preguiçoso ajudante na mercearia e presa fácil do autoritarismo do Guarda Serôdio.


Tal como nos "Patafúrdios", Sérgio Godinho envolveu-se na parte musical, escrevendo as letras da canções da série, musicadas por Jorge Constante Pereira. Em 1988, foi editado o disco "Sérgio Godinho canta com os Amigos do Gaspar". O tema principal era o famoso "É tão bom uma amizade" e cada episódio continha uma variante dessa canção.

Foram ao todo 37 episódios nas duas séries, tendo conquistado público e crítica. O Jornal "Se7e" referiu uma vez que a série até parecia ser estrangeira. E a pequenada foi conquistada pelas personagens, que se tornaram tão míticas como as da "Rua Sésamo".

João Paulo Seara Cardoso ainda fez mais duas séries para televisão no início da década de 90: "Mópi" e "No Tempo dos Afonsinhos" mas depois a sua obra limitou-se às artes de palco. Permaneceu ligado ao Teatro de Marionetas do Porto, de que foi fundador e director artístico, até ao seu falecimento em Outubro de 2010.

A RTP Memória tem permitido matar-nos saudades de Gaspar, Manjerico, Marta, Farturas, Serôdio e companhia, e apresentá-los a novas gerações, mas há muito que se impunha uma edição de DVD e Blue Ray da série.

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A série já foi cromada na Caderneta de Cromos:
O canal do Youtube "Amigos do Gaspar Blog" tem episódios: "AmigosdoGasparblog"

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Mais um belo texto do Paulo Neto!
Gostava de convidá-los a visitar o blog do Paulo Neto, um grande contribuidor para a "Enciclopédia de Cromos". Vão lá, comentem e digam que vão da minha parte: "Estou-me Nas Tintas": http://estoume-nastintas.blogspot.pt 

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