quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Ainda Faltam Três Anos Para O Ano 2000 (1996/97)

por Paulo Neto

Quase dezasseis anos volvidos, o ano 2000 já parece longínquo, tantos foram os anos que já passaram e tantas as voltas que o mundo já deu desde então. Porém ainda me recordo muito bem da expectativa da chegada desse ano na segunda metade dos anos 90 que se sentia um pouco por todo o mundo. Talvez por isso, o programa especial da SIC para o réveillon 1996/97 tinha o extenso e pomposo título "Ainda Faltam Três Anos Para O Ano 2000"

Na altura, a estação de Carnaxide dominava indiscutivelmente as audiências e por isso era grande a expectativa sobre qual seria a sua programação para acolher a chegada do ano 1997, já que em anos anteriores, a SIC tinha apostado em programas especiais que reuniam as estrelas da estação. Nesse ano, o réveillon da SIC esteve a cargo de Teresa Guilherme. Primeiro com uma emissão especial do "Ai Os Homens" com concorrentes famosos como João Baião, Guilherme Leite, Camacho Costa, Carlos Areia, Luís Esparteiro, Nuno Graciano (pré-calvície), Miguel Dias e os dois cromos residentes, o Ulisses e o Johnny Bigode, com Margarida Martins como presidente do júri. Depois com a própria a conduzir "Ainda Faltam Três Anos Para O Ano 2000", um programa que mais uma vez reunia as mais famosas caras da estação na assistência e que se pautou por vários momentos de música e humor. 

Por exemplo, Anabela e Sara Tavares interpretaram as míticas canções com que ganharam o Festival da Canção, "A Cidade (Até Ser Dia)" e "Chamar A Música", acompanhadas por um jovem coro.


O mesmo coro acompanhou Miguel Ângelo a cantar o "Sou Como Um Rio" dos Delfins.


Também houve actuações musicais dos Santos & Pecadores,  dos Ritual Tejo, na altura em alta com o hit "Nascer Outra Vez" e de Pedro Abrunhosa & Os Bandemónio, que tinham acabado de editar o aguardado segundo álbum. 

Entre os momentos de humor, constavam vários apanhados em que as vítimas eram as estrelas da estação. Conta Teresa Guilherme no livro "Isso Agora Não Interessa Nada", que reúne crónicas sobre as suas experiências televisivas, como apresentadora e/ou produtora.
"...a ilustre plateia tremeu. E continuou a tremer durante todo o espectáculo. Eu, entre uma música e outra, lá me ia aproximando das mesas, lançando as maiores barbaridades. Mostrámos tudo. Desde as entrevistas falsas, em que o Miguel Vital, por exemplo tinha dado cabo da energia do João Baião, aos enganos repetidos e cheios de gargalhadas da Alberta Marques Fernandes, a gravar os seus votos de boas-festas. Também fizemos uma colectânea de frases excepcionais, que os nossos VIP tinham dito ao longo do ano na imprensa, e a Fátima Lopes lá viu escarrapachado no ecrã a sua afirmação: «Eu sinto-me sensual com um grande decote.» Cada vez que eu me aproximava de uma mesa, os convidados deitavam as mãos à cabeça, mesmo antes de anunciar o mimo que tínhamos preparado para eles."




Outro dos apanhados de que me recordo nesse programa foi um que envolveu algumas das caras bonitas da SIC da altura, como Liliana Campos, Cristina Mohler ou Maria João Pinheiro, em que elas filmavam uns testes para apresentar um possível programa sobre música mas algo estranho sucedia como palavras impronunciáveis no teleponto ou uma acesa discussão entre duas pessoas no estúdio.



Nesse ano, Teresa Guilherme apresentou o programa "Ousadias" em que o ponto alto eram as falsas entrevistas de Miguel Vital. Hoje conhecido como a voz-off de "O Preço Certo" mas na altura um desconhecido, Vital assumia o papel de um entrevistador nervoso e inapto em entrevistas que testavam os limites da paciências dos famosos entrevistados, revelando que esses mesmos limites eram algo reduzidos para algumas dessas figuras públicas. 
Este programa de réveillon também mostrou algumas das falsas entrevistas que não tinham sido exibidas em "Ousadias", incluindo uma a Pedro Abrunhosa, onde este acabou por revelar algo bastante íntimo e pouco condizente com a imagem de galã que cultivava. Escreveu Teresa Guilherme no livro supra-referido:
"A determinada altura o Miguel confessou-lhe a chorar que tinha problemas com a namorada. Acrescentou em surdina que estava impotente. Estas confidências fizeram vibrar a corda solidária do macho mais velho Abrunhosa, que disparou uma rica panóplia de conselhos na tentativa de o animar. Mas o Miguel insistia. Na teoria era tudo muito bonito, mas o Pedro não devia saber o que era estar em baixo quando a namorada já andava lá por cima. E perguntava entre lágrimas: «E ao Pedro, sim a si, já alguma vez lhe aconteceu?»
E foi aí que Abrunhosa, o machão da paróquia, confessou. Sim, já tinha estado com mulheres fabulosas sem "estar". Que sim, às vezes ele queria, mas o seu amiguinho não estava pelos ajustes. E chegou mesmo a reproduzir os diálogos murchos que já tinha tido com o seu pouco colaborante parceiro de desventura: «Então pá, não te levantas?...» e ficamos por aqui.

Aliás esse "Então pá, não te levantas?" foi repetido durante os spots de promoção ao programa. Teresa Guilherme conta ainda na mesma crónica que por causa dessa partido, Pedro Abrunhosa esteve anos sem lhe falar. O que dado o teor da revelação e a forma como TG conseguiu que Abrunhosa autorizasse os direitos de imagem (não lhe disseram que iriam exibir a entrevista), é compreensível, diria eu.

Mas o apanhado mais divertido foi aquele que envolveu um dos (ainda hoje) principais rostos da informação da SIC, Rodrigo Guedes de Carvalho, e do então director de programas, o malogrado Emídio Rangel que viram as suas cabeças magicamente colocadas em cima dos corpos musculados dos culturistas que fizeram o casting para o papel do Ulisses do "Ai, Os Homens".



A contagem decrescente para 1997, foi feita ao som de uma adaptação do hino da SIC e com vários planos das caras da estação e dos convidados musicais: Camilo de Oliveira, Liliana Campos, Manuel Serrão, Alexandra Fernandes, Paulo Costa (Ritual Tejo), José Figueiras, Rita Salema, Maria João Pinheiro, Ângelo Torres (da sitcom "Pensão Estrela"), Luís Mascarenhas, Nuno Melo, Emídio Rangel, Júlia Pinheiro, Rodrigo Guedes de Carvalho, Artur Albarran, Olavo Bilac, Margarida Pinto Correia, Miguel Vital, Carlos Narciso ("Casos de Polícia") e  Conceição Lino.


Segundo Teresa Guilherme, o programa alcançou uns espantosos 80% de share (outros tempos!) e tal foi o êxito que um programa semelhante foi encomendado para o réveillon seguinte, o de 1997/98, com o algo evidente título de "Ainda Faltam Dois Anos Para O Ano 2000."

E agora que estamos à beira do décimo-sexto ano depois do ano 2000, aproveito para desejar um bom ano de 2016 a todos os leitores do blogue e seguidores do Facebook da Enciclopédia de Cromos. Muito obrigado pelo vosso apoio, pelos vossos comentários e pelos vossos likes. E podem contar com mais cromos no próximo ano!
  
        

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3 comentários:

  1. Uma bela emissão de passagem de ano, que tinha de tudo para ser a mais vista de todas, pois com artistas de género variado, e de grande qualidade... por mais que a RTP fosse boa, a SIC arrasava tudo e todos.

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    1. Verdade!
      E só ao ler o artigo do Paulo é que me apercebi que era o Miguel Vital a fazer aquelas entrevistas embaraçosas :D

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