quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Natal dos Hospitais (parte 2)

por Paulo Neto


Ele há cromos tão históricos que merecem ser de novo revisitados. Os seguidores mais antigos aqui do blogue recordam que há um ano, a "Enciclopédia de Cromos" publicou um texto sobre o "Natal dos Hospitais". (Podem ler ou reler aqui.) Pela sua longevidade e tradição, ainda que se diga que já não é o que era nem coisa que se pareça, a verdade é que tem o seu quê de reconfortante saber que em breve a RTP levará a cabo mais uma edição do "Natal dos Hospitais". Todos nós temos memórias das edições dessa lendária emissão natalícia nos anos 80 e 90, que nos mantinha presos à televisão a assistir ao interminável desfile de artistas. Não sei se é pelo o açúcar que o tempo adiciona às nossas memórias, mas dava a ideia que mesmo os cantores mais pimba avant-la-lettre eram mais dignos que os cantores pimba actuais, que havia mais artistas e grupos prestigiados outrora e que as horas da maratona televisiva custavam menos a passar. Também tenho pena que desde há mais de dez anos que o programa seja emitido ainda em período escolar, pois recordo ver o "Natal dos Hospitais" em tempo das sempre deliciosamente ansiadas Férias de Natal, onde era um dos vários pontos altos desse sublime período.

Pela tradição, pelas memórias e porque existem mais vídeos no YouTube para analisar, impõe-se mais um cromo do Natal dos Hospitais!



E que melhor forma de começar de que com este tesourinho de 1989, com José e Ana Malhoa a cantarem "A Nossa Lambada"? Ana Malhoa tinha aqui apenas dez aninhos e nem sonhava ainda em apresentar Buérérés , muito menos em ser super-tatuada, pousar na Playboy ou dar à luz uma Índia, mas como podem ver, já tinha aspirações a ser uma "bomba latina".


E já que falamos em Lambada, eis os Onda Choc em 1989 a versionar esse tema dos Kaoma. Na altura, aparentemente, só havia um rapaz no grupo e nota-se que ele está algo comprometido por andar ali com as raparigas, remetendo-se a um canto.
  


Fast forward para 1997, e temos outra formação dos Onda Choc (de novo só com um rapaz) a cantar uma versão de "Every Breath You Take"? Reconheceram a cantora principal? Sim, é a Marisa Liz, dos Amor Electro!



Hoje em dia, quando se fala de uma cantora Kika, pensa-se na jovem intérprete de "I Guess It's Alright" e de temas oficiais da TMN e da EDP, mas em 1989, a Kika reinante era Cristina Paço D'Arcos, promovida como a Xuxa portuguesa. 




Na batalha Onda Choc vs. Ministars, eu pendia para o lado destes. Tive os três primeiros álbuns deles (contra apenas uma cassete dos Onda Choc) e quando nunca surgiam na televisão com menos de três rapazes (o que significava que era mais d'homem gostar dos Ministars que dos Onda Choc). Muitos de vós reconhecerão esta versão de "I Wanna Dance With Somebody". E serei o único a lembrar-me desta árvore de Natal giratória do cenário do "Natal dos Hospitais" de 1987?  



Ainda no campo dos grupos infanto-juvenis que versionavam temas estrangeiros, quem não se lembra da Malta Pop (com uma aceitável quota de dois rapazes) que nos anos 90 ousaram desafiar o domínio dos Onda Choc (por esta altura, os Ministars já tinham ido à vida). 



E quem é que ainda se recorda de que antes dos irmãos Nelson e Sérgio Rosado terem aberto as asinhas e formado os Anjos, fizeram parte da boysband Sétimo Céu com Telmo Miranda e Pedro Camilo, formando um alternativa mais soft aos recém-aparecidos Excesso?



Hoje em dia, quando Miguel Gameiro não está ocupado com a sua carreira a solo, está à volta dos tachos como chef culinário. Mas nos anos 90, os Pólo Norte marcavam o panorama musical com canções como "Aprender A Ser Feliz".



Aqui temos o "rei" Emanuel com mais um dos seus hits "Vamos A Elas" (que a bem-dizer, é outra forma de dizer "Nós pimba!")



Mas hoje por hoje, o verdadeiro rei é Tony Carreira. Ei-lo aqui interpretando um dos seus temas incontornáveis do seu repertório, "Sonhos de Menino".


A quadra natalícia também propiciava que vários artistas se reunissem numa cantiguinha de Natal, como se sucede neste caso que junta nomes como Marante, Maria Lisboa, José Alberto Reis e Filipa Lemos numa fase pré-Santamaria.



Regressando aos anos 80, mais concretamente em 1985, após Júlio Isidro anunciar o próximo bloco de artistas, eis que surge Ana Paula Reis, que na época tinha aspirações a popstar, numa onda bem mais descontraída, distante da circunspecção dos seus ofícios como locutora de continuidade na RTP.




Para o amigo da Enciclopédia e autor do blogue "Ainda Sou Do Tempo", Hugo Miguel Silva, aqui fica José Cid na edição de 1989, a cantar uma medley com alguns dos seus êxitos.



Nos anos 80, um dos momentos mais aguardados da recta final do programa era a chegada de Herman José. Em 1989, Herman fez-se acompanhar por Vítor de Sousa e Ana Bola num divertido número onde revisitou a personagem Serafim Saudade.

E assim terminamos esta viagem pelas memórias do "Natal dos Hospitais". Quem sabe se para o ano não há mais?



Mais cromos sobre o Natal: "Natal na Enciclopédia".

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1 comentário:

  1. Um belo artigo sobre os antigos Natais dos Hospitais.
    Quando comecei a ver a RTP Memória, comecei a ver os Natais dos Hospitais, e ouvi de novo grandes composições que já não ouvia há que séculos!
    No de 1997, vi a Ilda de Castro, irmã da grande Ada de Castro, a cantar o fado "Nunca Mais na Vida", um fado que me despertou memórias lindas da minha infância. E também ouvi o "Pimpolho" do Iran Costa, uma canção que já não ouvia desde os meus 6 anos!
    O mais interessante nesse programa foi a actuação da fadista Tila Maria, que cantou uma canção bem bonita, intitulada "Chega P'ra Lá", uma canção animada para tudo e todos, e a grande Cândida Branca Flor, que cantou uma canção que adorei, a cantiga "Chega-te Mais um Pouco".
    Enquanto uma mulher de meia-idade diz "chega pra lá", outra de quasi 40 anos, mas com um corpo invejável e bem-conservado, diz "chega pra cá". Tão giro! Hehehe.
    E no de 1981, até me fartei de chorar quando descobri de quem era o "Baile dos Passarinhos", das "Minhocas", uma memória da minha meninice, e da de muitos meninos da época. num Natal em que a grande Maria Leonor era a locutora, e onde apareceu pela última vez a Grande Hermínia a cantar a canção "Abre a Tua Janela" e "Marujo de Lisboa": «https://www.youtube.com/watch?v=lhUE50k7wZg», e a Grande Amália, a cantar três canções do seu reportório, que são "Ai Maria", "Fadinho da Ti Maria Benta" e "Vi o Menino Jesus": «https://www.youtube.com/watch?v=rj0n0xPd6Cg».
    E no Natal dos Hospitais de 1989, também descobri grandes pérolas da nossa música ligeira nacional: a Maria José Valério, uma das nossas melhores cançonetistas, interpretou esta grande marcha de Frederico Valério, seu tio, estreada na Emissora Nacional em 1951, as "Raparigas de Lisboa": «https://www.youtube.com/watch?v=B8bOHslEU4I».
    E pela primeira vez, tive a oportunidade de ver o Dino Meira na TV portuguesa, a cantar uma canção popularíssima na época, a canção da "Boa Viagem": «https://www.youtube.com/watch?v=ihCrAd79z7M».
    Um programa fantástico, que mesmo com os tempos mudados e com a concorrência das TV's privadas, que falam muito deste grande clássico, nunca perdeu o seu brilho, e nunca perderá!

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